Custos
recordes, preços tímidos e demanda limitada. O cenário que caracterizou a crise
da avicultura começa a mudar. Com o recuo de 10% nas cotações do milho e
reajustes de até 30% nos preços da carne de frango, o mercado espera equalizar
despesas e receitas e retomar a linha de crescimento.
Com os preços do milho em disparada, registrando um valor médio de R$ 26,60 no
Paraná, o mês de agosto foi apontado pelo setor como o mais severo. “Agosto foi
o epicentro da crise, mas setembro já consolidou uma reposição”, afirma
Francisco Turra, da União Brasileira de Avicultura (Ubabef). “Estávamos na UTI,
agora estamos no apartamento [do hospital]”, sintetiza Domingos Martins,
presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná
(Sindiavipar). Ontem, a cotação do milho estava em R$ 24,20, sinalizando queda
no preço da ração.
A recuperação, no entanto, não significa que os problemas tenham acabado. “O
mercado [o preço da carne de frango] reagiu, mas ainda não há um equilíbrio
entre custos e receitas”, pontua Valter Pitol, presidente da Cooperativa
Agroindustrial Consolata (Copacol), de Cafelândia (Oeste). Ele projeta que
neste mês esse equilíbrio esteja mais próximo.
A própria redução de 10% no alojamento de aves teria forçado alta nos preços. O
quilo do frango vivo subiu de R$ 1,70 em junho para R$ 2,20 neste mês no
estado. E o quilo da carne resfriada passou de R$ 4,60 para R$ 4,85 no estado,
conforme a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “Ainda não está
extraordinário, mas o prejuízo está sendo menor do que nos meses anteriores”,
afirma Pitol.
Como o ciclo das aves leva cerca de 45 dias, a redução no alojamento feita nos
meses anteriores comprime a oferta neste momento, explica Ciliomar Tortola,
diretor da GTFoods. “Não se trata de aumento nos lucros, apenas repasse de
custos, e terá que ser de forma integral”, afirma. “As aves abatidas agora
consumiram a ração quando o custo ainda era alto”, explica Pitol, da Copacol.
Apesar de
dados do Sindiavipar indicarem que em agosto o número de aves abatidas no
estado foi superior ao do mês anterior, Martins explica que a oferta está em
queda em setembro. Os frigoríficos consumiram 123 mil aves, contra 111 mil em
julho. “Foi eliminada uma grande quantidade de matrizes”, aponta.
Parte das empresas segue em expansão. Ciliomar Tortola, da GTFoods, confirma
que o grupo tem negociações em curso para a aquisição de unidades avícolas no
Paraná e outros estados. “Algo deve se consolidar ainda esse ano, mas não
podemos dar detalhes”. Segundo o Sindiavipar, apesar da crise, 2012 será de
crescimento.
Indústria
Diplomata
ainda não regularizou produção
Com dívidas de R$ 395 milhões agravadas pelos custos recordes, a Diplomata
ainda não conseguiu regularizar a produção de aves na região de Capanema e
Planalto, no Sudoeste do estado. Os avicultores integrados ao frigorífico ainda
relatam atraso na entrega de rações. Um plano de recuperação judicial deve ser
apresentado em 30 dias.
Dari Possato, presidente da Associação dos Avicultores da região, diz que há
atraso também no pagamento de alguns lotes e critica a falta de diálogo. “Depois
do dia 24 de agosto, praticamente ninguém recebeu. Queremos conversar mas
ninguém nos atende”, reclama.
A Diplomata não envia representante a reuniões que discutem a crise em sua área
de abrangência. Darci Luiz Pessali, que foi nomeado administrador judicial da
empresa, disse que não pode tomar qualquer medida antes da apresentação do
plano de recuperação, cujo prazo ainda não venceu. Proprietário da empresa, o
deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB) sustenta que os problemas estão sendo
resolvidos.
Ivanir Sokolowki, que tinha três lotes de frangos para receber, diz que parte
da dívida foi paga e que voltou a alojar aves. “Recebi e estou alojando um lote
de 10 dias”. Neri Philippsen está investindo no aviário para fornecer aves a
outra empresa. “Estou há quase 6 meses sem alojar”, relata. Ele diz ter R$ 10
mil para receber.
Gazeta do Povo
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