Como, normalmente, toma como referência no cálculo
do desempenho mensal apenas os valores coletados no último dia do mês, é bem
provável que, ao divulgar os resultados da cesta básica de setembro passado, o
Procon-SP aponte que o preço do frango resfriado comercializado no varejo
paulistano aumentou, no mês, algo em torno de 2,5%, pois subiu de R$4,72/kg no
último levantamento de agosto (dia 30, quinta-feira) para R$4,84/kg no último
levantamento de setembro (dia 27, também uma quinta-feira).
É oportuno registrar, no entanto, que esse mesmo
frango foi adquirido no atacado paulistano por um valor 1,62% inferior, pois em
27 de setembro esteve cotado por um valor médio de R$3,025/kg, enquanto quatro
semanas antes seu valor era de R$3,075/kg.
Naturalmente, a simples adoção dos preços ponta a
ponta é insuficiente para apontar a efetiva média mensal. Mas o que se quer
demonstrar aqui é que, em setembro, enquanto os preços no atacado despencavam
na segunda quinzena e fechavam o mês com um valor inferior ao de agosto, no
varejo eles subiram ininterruptamente.
Ou seja: se, em setembro houve alguma “inflação do
frango”, ela não foi causada pela avicultura. Note-se, aliás, que na primeira
quinta-feira do mês (6), o sobrepreço do varejo em relação ao atacado era de
40%. Já no último levantamento (27 de setembro), o sobrepreço subiu para 60%.
Em tempo: contrapostas as médias semanais de setembro
contra as médias semanais de agosto (a melhor forma de chegar-se a um valor bem
mais próximo da média mensal), constata-se que, na realidade, o produto
comercializado no atacado obteve, em setembro, valorização de 3,3%. Já o
reajuste de preços no varejo paulistano foi bem superior e, na média, o
consumidor pagou pelo frango resfriado 9,4% mais que em agosto.
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