Crise na avicultura poderá diminuir oferta de produto aos consumidores

por admin_ideale

A crise na
avicultura pode ser analisada a partir estiagem que aconteceu no Sul do Brasil
na safra verão deste ano. O Rio Grande do Sul foi afetado por uma estiagem
violenta que levou mais de 50% da safra de milho e cerca de 40% da safra de
soja. A situação da avicultura começou a se complicar mais a partir da estiagem
americana que dizimou 102 milhões de toneladas de milho e uma grande fatia da
produção de soja do país.

Este cenário ensejou que os grandes importadores mundiais, como alguns países
da Ásia, viessem por aumentar as compras de soja e milho do Brasil, elevando os
preços das culturas a cada hora, e a cada dia.

“Nós pagávamos pela tonelada de farelo de soja no início do ano cerca de R$600
e hoje o preço chegou a quase R$1.350. É realmente um aumento considerável. Se
for um momento muito bom para o produtor que está vendendo soja a um alto
preço, para a avicultura é um momento crítico”, afirma o presidente da União
Brasileira de Avicultura (UBABEF), Francisco Turra.

Algumas empresas já pediram recuperação extrajudicial e outras atualmente
passam por grandes dificuldades. A consequência deste desgaste no setor irá
refletir no consumidor final, aumentando o custo dos produtos.

“Os insumos aumentaram em média 40% e isto enseja um aumento no custo da
produção avícola. Isto balançou totalmente a cadeia que vinha ordenada nos anos
anteriores crescendo em produção, exportação e em consumo”, afirma o presidente
da UBABEF, acrescentando que a consequência é da redução da produção e um
aumento dos preços ao consumidor.

“Atualmente
a procura pela carne de frango havia aumentado e o preço estava mais baixo,
momento em chegamos a essa crise. O preço embora continue popular, terá um
incremento”, completa.

Apesar de o Brasil ser maior produtor profissional de aves do planeta, o
primeiro exportador do mundo e terceiro maior produtor, segundo dados da
UBABEF, a crise nos afetou o país violentamente. E a avicultura vive um momento
difícil.

“A produção vai cair em torno de 10% a partir da crise. E, em conseqüência,
teremos menos exportação e menos disponibilidade de produto para o consumidor
final. Menos ração no mundo, menos alojamentos”, afirma Turra.

A União está viabilizando alguns projetos de recuperação e para o
fortalecimento do setor. “Ações de crédito para as empresas, desoneração da
folha de pagamentos, da redução dos custos gastos em energia será um grande
passo, porém nossa maior luta se refere ao escoamento da produção, onde nós traríamos
o milho das regiões onde ele está sobrando e distribuiríamos onde falta”,
finaliza Francisco Turra.

Desoneração na indústria pode beneficiar produtores rurais

A desoneração da folha de pagamentos para a indústria de aves e suínos pode
contribuir para estimular o consumo interno de carne e proporcionar melhor
remuneração aos criadores de animais pela comercialização de matrizes com as
agroindústrias. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Aves e
Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato
Simplício Lopes, que considerou positiva a medida anunciada na semana passada
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que incluiu os dois segmentos entre os
contemplados pela desoneração tributária para 20 segmentos da indústria, além
dos setores de serviços e transportes.

Ao propor a substituição da contribuição patronal de 20% sobre a folha de
pagamentos por uma alíquota de 1% sobre o faturamento das indústrias, o Governo
pretende incentivar a geração de mais empregos formais, além da ampliação de
investimentos e redução do custo da mão-de-obra para as empresas. “É uma medida
positiva, desde que esta redução do custo das empresas seja repassada ao
consumidor. Isso poderá aumentar a procura por carne e equilibrar a relação entre
oferta e demanda”, ressaltou Simplício, defendendo que a medida beneficia
principalmente a suinocultura, que atravessa período de crise.

Segundo ele, no caso da suinocultura, o equilíbrio entre procura e oferta pode
provocar uma reação positiva nos preços do quilo do suíno vivo. A baixa
remuneração pelos animais tem sido uma reclamação freqüente dos suinocultores,
diante do excedente de carne suína no mercado. Os valores recebidos pela venda
de matrizes têm ficado abaixo do custo de produção, em razão da disparada dos
preços dos insumos usados na alimentação dos animais. “Para que haja essa
recuperação de preços, as medidas tomadas para desonerar a indústria devem ter
benefícios na ponta. Caso contrário, nem o consumidor nem o produtor rural
ganham”, afirmou Simplício.

 

Diário da Manhã – Passo Fundo


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