Frango: custo pode estar caminhando para a estabilização

por admin_ideale

Analisando-se,
nos últimos cinco meses (pouco mais de 150 dias), a evolução de preços do
principal fator de custo do frango – aqui, um “pacote” contendo milho e farelo
de soja, na proporção de 3:1 – constata-se que após significativo salto de
junho para julho, vem se registrando relativa estabilização nessa evolução.
Assim, depois de apresentar variação de mais de 50% (comparativamente a 20 de
abril) no início deste mês, no momento o “pacote” apresenta aumento de 47%.

Comparativamente a esse acréscimo, frango vivo e abatido não estão tão longe,
pois, no mesmo período, a ave viva valorizou-se em 39% e a abatida em 28%, o
que significa que se encontram agora cerca de 8 e 19 pontos percentuais aquém
do custo do “pacote”.

De toda forma, a defasagem persiste. E não é isso, exatamente, que faz com que
a crise no setor persista e, sim, o fato de, por mais de 30 dias, ter
prevalecido grande diferença entre custo e preço.

O gráfico abaixo deixa isso bem claro. Entre abril e junho, embora o custo
tenha evoluído sempre acima do preço recebido, os três itens tiveram evolução
muito similar entre si. A ponto de, em meados de junho, “pacote” e frango
abatido registrarem o mesmo índice de evolução em relação a abril (+8%, aproximadamente),
enquanto o frango vivo tinha evolução muito próxima (+5%).

A partir daí, porém, enquanto os preços do frango (vivo e abatido) se
estabilizam, o valor do “pacote” passa a apresentar ascensão estratosférica,
que só começa a dar sinais de estabilização na segunda quinzena de julho. Foi
quando se formou o grande rombo (um “buraco negro”) que mantém toda a
avicultura de corte em estado de choque.

Em outras palavras, a atual defasagem entre custo e preço recebido pode ser
menor. Mas o prejuízo persiste e vai se ampliando à medida que o tempo passa.
Isto, a despeito de uma possível estabilização na evolução de preços do
“pacote” básico.


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