Seca atinge cerca de 1.200 municípios

por admin_ideale

A seca
continua castigando os produtores do Nordeste brasileiro. Aproximadamente 1.200
municípios já decretaram situação de emergência, segundo a Defesa Civil. O
estado da Bahia é o mais castigado, com mais de 200 municípios em realidade
crítica. As perdas vão desde o alimento dos animais, como a palma, até as
lavouras de milho, feijão, arroz e mandioca.

No município baiano de Miguel Calmon, a 360 quilômetros de Salvador, no
centro-norte do estado, as chuvas neste ano chegaram a aproximadamente 250
milímetros, sendo que a média no período é de 800 milímetros na região. Para
conter as perdas, os produtores estão optando por vender o rebanho por não ter
como alimentá-lo.

“Aqui no município temos um plantel de 40 mil animais. Já foram perdidos
12%, uma média de 6 mil animais. Estimamos que os prejuízos possam chegar a 30%
até fim da estiagem. Uma vaca de 12 arrobas que custaria R$ 1.200 os criadores
estão vendendo por R$ 600 para não deixar morrer de fome”, informou ao
Agrodebate o presidente do Sindicato Rural do município, Humberto Miranda de
Oliveira.

Em outros
municípios do Semiárido nordestino os prejuízos no campo chegam a 100%, como é
o caso de Batalha, na Paraíba, a 170 quilômetros de João Pessoa. Os moradores
não veem chuvas há pelo menos cinco meses. O produtor Francisco das Chagas conta
que perdeu tudo o que plantou. “Tenho uma área de 37 hectares. Perdi a
produção de arroz, milho, feijão e a pastagem está secando”.

No município de Pão de Açúcar, a 230 quilômetros de Alagoas, os efeitos da seca
também são grandes. No período de produção do arroz, milho e feijão, entre
março e junho, choveu apenas 67 milímetros, insuficiente para o bom
desenvolvimento das lavouras. Em agosto, o nível de chuva foi de somente 0,5
milímetro. Os criadores ainda sofrem com a ação de uma praga, a cochonilha do
carmim, que atinge a palma, principal fonte de alimento dos animais.

Geovando Silva tem uma área de 30 hectares em Pão de Açúcar. De 20 vacas, cinco
já morreram. “O leite diminuiu. Antes desta seca a produção era de 150
litros por dia e agora é de 80 litros, no máximo. Vou tentar um financiamento para
comprar ração. Se não conseguir, o jeito vai ser vender os animais que
restam”, desabafou o produtor.

Socorro

Como forma
de amenizar os efeitos da seca, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
disponibilizou 400 mil toneladas de milho provenientes dos Estados de Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. A medida foi divulgada na última
quarta-feira (8), em Brasília, durante reunião entre o ministro da Agricultura,
Mendes Ribeiro Filho, o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos, e os
secretários de agricultura e presidentes das Federações de Agricultura e
Pecuária dos estados nordestinos.

Mas a Companhia enfrenta dificuldades para transportar o grão até o Nordeste.
Além disso, o último leilão realizada no dia 6 de setembro fracassou, apenas
10% do milho ofertado foram comercializados. Esta semana outro leilão deve ser
realizado.

Mas algumas
medidas podem ser tomadas pelos produtores atingidos pela seca. Aqueles que são
cadastrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
podem requerer financiamentos de até R$ 12 mil com juros de 0,5% ao mês. E quem
não está inserido no Pronaf tem direito a créditos de até R$ 100 mil. Essa
linha de financiamento pode ser acessada por meio do Banco do Nordeste.

A continuação da produção – mesmo diante da seca – pode vir com o estímulo de
programas desenvolvidos pelas entidades do setor produtivo. Na Bahia, o
programa “Viver bem no Semiárido” da Federação da Agricultura e
Pecuária da Bahia (Faeb) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-BA)
tem o objetivo de proporcionar condição para que a produção continue, mesmo
durante a seca.

“Pretendemos atender 700 produtores em 250 municípios de todo o Semiárido.
Queremos criar condições para o produtor sobreviver, por meio, por exemplo, da
implantação de sistemas de irrigação e assistência técnica”, observou.

Enquanto a ajuda não chega, os produtores como Geovando aguardam o mês de
dezembro com ansiedade. “Agora o que resta é esperar as chuvas
chegarem”.

 

 Agrodebate


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