Bloqueios em rodovias elevam riscos de desabastecimento

por admin_ideale

A situação é
crítica em duas estradas federais que passam em Mato Grosso. Indígenas e
caminhoneiros seguem com bloqueios nesta quinta-feira (30), segundo a Polícia
Rodoviária Federal (PRF). São três pontos interditados: na BR-364 grupos estão
no quilômetro 360, próximo a Serra de São Vicente; na BR-174 está bloqueada no
quilômetro 389, na região de Comodoro, a 677 quilômetros de Cuiabá, e que liga
o estado a Rondônia. Há interdição também próxima a capital Cuiabá. Só podem
passar pelas estradas ambulâncias e pessoas doentes.

Na tarde de
quarta-feira (29) os indígenas fizeram acordo com a PRF e decidiram liberar
parcialmente as rodovias, pois o congestionamento estava atingindo 60
quilômetros. Na BR-174 a liberação foi das 15h às 20h e na 364 o desbloqueio
foi entre 13h45 e 17h45.

Revoltados
com os congestionamentos, motoristas de caminhões iniciaram bloqueios em
diversos pontos das estradas em protesto ao movimento dos indígenas. E mesmo
com a liberação parcial, muitos motoristas não conseguiram passar, como foi o
caso de José Carlos Lunedo, que está há dois dias na estrada. Ele calcula que o
seu prejuízo chega a R$ 800 por dia. “Não deu tempo de passar ontem e não
está nada fácil, estamos sem comida, sem água e está todo mundo nervoso”.

Segundo o
diretor-executivo do Sindicato das Transportadores do estado, Gilvando Alves de
Lima, as perdas já são sentidas. “Os veículos com suínos, frangos e coisas
do gênero já têm perdas. Já não tem mais combustível para manter as câmaras
frias dos caminhões em funcionamento. Não teremos a quem recorrer para sermos
ressarcidos”, desabafou.

Oito etnias
pedem a suspensão da Portaria 303, da Advocacia Geral da União (AGU), que entra
em vigor no fim de setembro. O documento regulamenta a atuação dos advogados
públicos e procuradores em processos judiciais envolvendo a demarcação e o uso
de terras indígenas, o que irá alterar as normas de exploração de recursos
naturais em terras indígenas.

A PRF de
Comodoro informou que está fazendo uma barreira 60 km antes do local onde os
indígenas estão concentrados para orientar os motoristas a permanecerem em
postos de combustíveis e na cidade para que não haja tumulto.

Ainda
conforme a PRF, na quarta-feira (29) uma nova rodada de negociação em Brasília
entre a Funai e AGU foi realizada na tentativa de avançar nas negociações pelo
fim dos bloqueios. No entanto, não houve acordo.

A Funai, por
meio de assessoria de imprensa, disse que há um núcleo de apoio em Cuiabá e
outro em Comodoro monitorando a ação dos indígenas. Uma nova reunião deve ser
realizada em Cuiabá nos próximos dias com os indígenas para ver se chegam a um
acordo.

Reflexos

Os postos de combustíveis do estado já sentem os reflexos da paralisação, pois
os tanques de armazenagem estão com os estoques reduzidos e muitos
caminhões-tanque estão nas rodovias, informou em nota o Sindicato do Comércio
Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato
Grosso (Sindipetróleo). Em Sinop, a 503 km de Cuiabá, pelo menos um posto de
combustível já está com os reservatórios esgotados. Os demais estão com os
estoques bastante reduzidos.

 

 

Agrodebate

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