Aquaponia: criadores de peixe podem dedicar 70% da lâmina d’água para o cultivo de hortifrutis

por admin_ideale

Os criadores
de peixes interessados na aquaponia podem dedicar 70% da lâmina d’água para o
cultivo de hortifrutis. Há diversas formas de plantio que vai do cultivo de
alfaces até flores e frutas. A técnica praticada pela presidente da Aquamat,
Maria da Glória Bezerra, segundo o zootecnista, Manuel Braz, está voltada a
produção em pequena escala e para a geração de uma segunda renda.

Sem o uso de fertilizantes, o índice de dejetos dos peixes na água influencia
diretamente no desenvolvimento da planta. O despejo de adubo nos tanques pode
ser realizado desde que feito de forma adequada para não prejudicar os animais.

A dica do especialista é dedicar cada tanque para uma cultura diferente. Em
águas com peixes pequenos, o nível de dejetos será menor. Assim, o cultivo deve
ser de plantas que necessitam de pouco adubo. Já em tanques com peixes
crescidos, o nível de material orgânico na água é maior e consegue nutrir
vegetais mais exigentes.
“Fui colher minhas alfaces e elas ficaram subdesenvolvidas por causa do pouco
adubo. Essa é outra etapa que vou ter que superar”, conta Maria da Glória.

A plantação a
partir da água da piscicultura ainda caminha a passos curtos no Brasil. Países
como os Estados Unidos e o México já criaram políticas para fomentar a
atividade. Em terras brasileiras, a falta de incentivo público e informação não
contribuem para a expansão da atividade. A tecnologia da aquaponia na Austrália
e em países da Ásia já ocorre há mais de três décadas. O estado de São Paulo é
o que mais investe na cultura no país. “Apesar de conhecer projetos do Sul ao
Norte do país, São Paulo ainda se destaca no ramo”, comenta.

Um benefício
que pode ser explorado pelos piscicultores é a renovação da qualidade da água
ocasionada pela filtragem das plantas. A aquaponia é considerada uma prática
sustentável e a produção integrada de organismos aquáticos com plantas na qual,
ambos compartilham espaço, nutrientes e uso de energia, contribui para ampliar
as receitas, ao mesmo tempo em que reduz o impacto ambiental. A tecnologia pode
ser aplicada na produção de peixes comestíveis e ornamentais (carpas e
kinguios), além de rãs e camarões.

Conforme Braz é importante colocar que o uso de fertilizantes industriais na
agricultura está ligado a queima de combustíveis fósseis para sua produção e ao
aquecimento global. A aquaponia, ao reciclar os nutrientes dos peixes para as
plantas, contribui para se produzir alimentos com menor impacto ao meio
ambiente.

 

Folha do Estado

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