Redução da oferta de frango elevará preço da carne, diz analista

por admin_ideale

Os elevados
preços do milho deverão provocar uma redução na produção de frangos no Brasil,
provocando aumento da carne para o consumidor, disse nessa segunda-feira (20) a
consultoria Clarivi, especializada em mercados agrícolas.

“O cenário atual compromete a competitividade da cadeia produtiva de
carnes no Brasil”, destacaram os analistas da Clarivi em relatório
semanal, referindo-se aos maiores custos da soja e do milho, decorrentes de uma
quebra de safra nos Estados Unidos.

A redução na oferta de milho e soja no mundo afetará o mercado para a produção
de rações, e o custo de produção da indústria de carnes poderá subir mais de
100 por cento no Brasil, “o que poderá ocasionar falências no setor que
são anunciadas por pequenos produtores”, afirmou a consultoria.

As dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor no Brasil são sentidas
também em outros países do mundo, como a Alemanha, onde produtores defendem uma
alta nos preços das carnes.

“A preocupação é de que a alta no preço das carnes leve os consumidores a
buscarem alternativas, como os peixes, o que derrubaria as vendas, agravando
ainda mais a crise”, acrescentou a Clarivi, sem especificar uma estimativa
para o aumento no preço da carne.

A alta no milho, o principal para a ração de frangos, está levando a indústria
a cortar a produção em 10 por cento, segundo a União Brasileira de Avicultura.

Na semana passada, as duas maiores produtoras de carnes de frango e suína do
país, a Brasil Foods e a Marfrig, não falaram em corte de produção, mas
disseram que reajustarão os preços de seus produtos para compensar o aumento de
custos. A BRF falou em aumento de até 10 por cento.

O preço do
milho, de acordo com o indicador Esalq/BM&FBovespa (base em Campinas) que
serve como referencial para o mercado, acumula alta de quase 40 por cento desde
meados de junho, impulsionado pela alta nas bolsas internacionais, após a pior
seca em mais de 50 anos reduzir a projeção de colheita no cinturão de grãos dos
Estados Unidos.

O sindicato
que reúne as indústrias de produtos avícolas no Paraná, principal Estado em
produção de frango no país, disse que acompanha de perto a situação e que
espera que o governo adote medidas para evitar a redução na produção e o
repasse de preços ao consumidor.

“Por conta do alto preço dos insumos, a avicultura paranaense pode sofrer
uma desaceleração”, afirmou Domingos Martins, presidente do Sindiavipar.

REDUÇÃO DE PRODUÇÃO

Apesar da previsão de redução da produção avícola, recentes imagens de um
produtor enterrando ovos e pintinhos em Santa Catarina, com o objetivo de
reduzir custos, são indicações de um caso isolado.

Segundo a Ubabef, quando as empresas decidem pela redução de abates, optam
entre dois métodos: ou suspendem a postura de ovos embrionados que gerariam
pintos; ou abatem os frangos antes do período médio de 42 dias, reduzindo o
peso de abate e o consumo de grãos.

 

Reuters


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