A ABIC –
Associação Brasileira da Indústria de Café divulgou nesta sexta-feira (10-08)
um levantamento intermediário que mostra que o consumo anual, até abril deste
ano, encosta em 20 milhões de sacas. O levantamento considerou os doze meses
compreendidos entre Maio/2011 e Abril/2012 e serve como indicador de tendências
para o balanço total que é calculado no final de cada ano.
Realizado
pela Área de Pesquisas e Informações da ABIC, o levantamento intermediário
mostra que os brasileiros continuam aumentando o consumo de café. No período
compreendido entre Maio/2011 e Abril/2012, a ABIC registrou o consumo de 19,975
milhões de sacas, isto representando um acréscimo de 3,05% em relação ao
período anterior correspondente (Maio/10 a Abril/11), que havia sido de 19,383
milhões de sacas. A expectativa inicial da ABIC era um crescimento de 3,5% em
volume, mas mesmo tendo sido um pouco abaixo, a entidade espera fechar o ano
com uma demanda total de 20,41 milhões de sacas. Com isso, a meta de se ter um
consumo interno de 21 milhões de sacas, proposta em 2004, poderá ser atingida
em 2013.
“As razões do crescimento de 3,05%, menor do que o esperado pela ABIC em suas
previsões iniciais, deverão ser mais pesquisadas, mas podem estar relacionadas
ao crescimento do consumo de produtos concorrentes no café da manha no lar”,
diz Américo Sato, presidente da entidade. Enquanto a penetração do café no
consumo doméstico permaneceu elevada (95%), mas estável, os outros produtos ou
categorias novas cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (24%) e
as bebidas a base de soja (29%), segundo pesquisas complementares da Kantar
Worldpanel. “Essas categorias de maior valor agregado desafiam a indústria de
café para a inovação e para a retomada de índices de crescimento maiores, o que
pode ocorrer com a oferta de cafés de melhor qualidade, certificados e
diferenciados”.
Certificações
O levantamento intermediário mostra que o País ampliou seu consumo interno de
café em 592 mil sacas nos 12 meses considerados. Entretanto, as empresas
associadas da ABIC que participam deste levantamento informando os volumes
produzidos mensalmente, mostraram uma evolução mais significativa, de 5,34% em
relação a 2011. Para a entidade, contribuíram para este aumento significativo o
crescimento do consumo fora do lar; a entrada no mercado de novos produtos
inovadores e a melhoria da qualidade, com a ampliação da oferta de produtos
diferenciados. “Acreditamos na crescente preferência dos consumidores por
produtos monitorados quanto à qualidade e muitas marcas trazem os símbolos de
seus programas de certificação de qualidade, como o Selo de Pureza ABIC ou o
Selo de Qualidade PQC – Programa de Qualidade do Café, o que parece atrair mais
compradores, fazendo com que o resultado dessas empresas seja positivo”,
explica Américo Sato, para quem a “qualidade é o motor do consumo”.
Em 1989, a
ABIC lançou o Programa do Selo de Pureza anunciando que pretendia reverter à
queda no consumo de café que havia à época, por meio da oferta de melhor
qualidade ao consumidor. O Selo de Pureza foi o primeiro programa setorial de
certificação de qualidade em alimentos no Brasil. Atualmente ele certifica
1.082 marcas de café e já realizou mais de 53.000 análises laboratoriais nesses
23 anos de existência e desde seu lançamento o consumo vem crescendo.
Em 2004, a
ABIC criou o PQC – Programa de Qualidade do Café, que hoje é o maior e mais
abrangente programa de qualidade e certificação para café torrado e moído, em
todo o mundo. O PQC certifica e monitora 496 marcas de café, sendo que 105 são
de cafés Gourmet, de alta qualidade.
Consumo per capita
O levantamento intermediário mostra que o consumo per capita foi de 6,18 kg de
café em grão cru ou 4,94 kg de café torrado, quase 83 litros para cada
brasileiro por ano, registrando uma evolução de 1,23% em relação ao período
anterior. “Os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e
diversificando as formas da bebida durante o dia, adicionando ao café filtrado
consumido nos lares, também os cafés expressos, cappuccinos e outras
combinações com leite”, avalia Márcio Reis Maia, diretor da área de Pesquisas e
Informações da ABIC.
O consumo per capita brasileiro continua sendo um dos mais elevados mesmo
quando comparado com o de países europeus. Os campeões de consumo, entretanto,
ainda são os países nórdicos – Finlândia, Noruega, Dinamarca – com um volume
próximo dos 13 kg/por habitante/ano.
Pesquisa do IBGE (POF), também indicou que o café é o alimento mais consumido
diariamente por 78% da população acima de 10 anos, o que representa 79,7
litros/habitante ano, muito semelhante ao apurado pela ABIC, e é maior na
região Nordeste, seguido do Sudeste (255 ml/dia ou 93 litros/habitante ano).
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