Incaper vai elaborar projeto de agricultura sustentável para o Haiti

por admin_ideale

Mais
do que conhecimento, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e
Extensão Rural (Incaper) levou esperança aos produtores rurais da região de
Beaumont, no Haiti. A comitiva, que integra o projeto das Organizações das
Nações Unidas (ONU) para ajudar na recuperação daquele país, retornou ao Brasil
neste domingo (08). O instituto vai elaborar um projeto para implantar um
sistema sustentável, associado às culturas de frutas, de florestas e de
subsistência (como milho e feijão) no país.

Para
Aureliano Nogueira da Costa, diretor técnico do Incaper e integrante da
comitiva, a visita teve um caráter missionário. “Nos viram como salvadores.
Nossa equipe foi chamada de ‘Messias’ por um produtor rural do Haiti, tamanha a
expectativa, a esperança que aquele povo tem no nosso trabalho. Fomos muito bem
recebidos”, alegrou-se. A comitiva capixaba foi recebida, entre outras
autoridades, pelo coordenador executivo do Instituto de Café do Haiti (Incah),
Jobert Angrand.

Os
técnicos do Incaper fizeram um diagnóstico da região. Observou-se, por exemplo,
que o manejo das lavouras era inadequado por falta de capacitação técnica, e
isso refletiu diretamente na queda da produtividade. Além disso, a agricultura
praticada no Haiti é de subsistência, e a proposta é de levar ao país
tecnologia capaz de tornar a atividade comercial, gerando mais emprego, renda e
qualidade de vida.

Foi
possível observar também que o clima da região de Beaumont é semelhante ao da
Região Serrana do Espírito Santo. “Com as semelhanças verificadas, a
experiência do Incaper na agricultura de base familiar certamente será de
grande valia. Há mais ou menos 20 anos a cafeicultura no Espírito Santo era
rudimentar, sem tecnologia. Temos experiência para ajustar nossos conhecimentos
à realidade do Haiti”, afirma Aureliano Nogueira da Costa.

Com
base neste diagnóstico, o Incaper vai elaborar um projeto. O objetivo é
implantar um sistema sustentável, associado às culturas de frutas, de florestas
e de subsistência (como milho e feijão). Inicialmente, cinco haitianos virão ao
Estado para serem capacitados. Ao voltarem ao Haiti, eles atuarão como
multiplicadores. Cada um deve levar o conhecimento adquirido no Brasil, a pelo
menos outros 40 produtores rurais haitianos. Mais de 5 mil pessoas devem ser
contempladas.

Impressões

A
comitiva do Incaper vivenciou o cotidiano da população de baixa renda do Haiti,
e sentiu na pele a dificuldade que os produtores rurais enfrentam diariamente.
“Ficamos mais de 18 horas sem qualquer alimentação. Não tinha água encanada. O
poço garantia apenas quatro litros de água por dia para cada um de nós. Isso
para tomar banho, escovar os dentes e todos os outros hábitos de higiene”,
disse Aureliano Nogueira da Costa.

O
Haiti foi devastado por um terremoto em janeiro de 2010, e passa por um
processo de recuperação econômica e social. “A miséria é grande. Na feira, os
alimentos são negociados sem o menor cuidado. Alguns produtos eram expostos no
chão. A moeda é desvalorizada, e o escambo (troca de mercadorias) prevalece. As
desigualdades sociais são enormes”, impressionou-se Aureliano.

“Há
uma enorme necessidade de manter os filhos no campo, o êxodo rural é muito
grande. As mães cortam as plantas, os pés de café, inclusive, para fazer lenha.
Vendem o carvão para tentar educar os filhos. No Haiti, 90% da educação é
particular. É um povo batalhador. Viver do próprio trabalho para eles é um
orgulho. O trabalho do Incaper é de colaborar para que a agricultura de base
familiar se fortaleça e, assim, garantir mais qualidade de vida àquelas
pessoas”, orgulha-se Aureliano.

Incaper integra missão da ONU

A
participação do Incaper na missão da ONU é liderada pelo Governo Japonês por
meio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). O instituto foi
indicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como sendo
o mais adequado para contribuir na recuperação do Haiti.

Como
se trata de um acordo de cooperação, há benefícios para todos os envolvidos.
“Quando se fala em tecnologia, o Japão é referência. Esta é uma boa
oportunidade para mostrarmos o potencial da nossa ciência, nossa tecnologia,
para todo o mundo”, disse Evair Vieira de Melo, diretor presidente do Incaper.

O
acordo de cooperação técnica também abre mercado para que os produtos
brasileiros, em especial os cultivados no Espírito Santo, entrem no Japão. “Ao
escolher o Incaper para integrar essa missão internacional, o Japão percebeu a
preocupação do Espírito Santo no que se refere à segurança alimentar. Ganhamos
credibilidade, e isso abre espaço os produtos cultivados no Estado no mercado
japonês”, complementou Evair.

 

Incaper

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