Começa nesta segunda-feira (28), e vai até sábado (02), a 8ª edição da Semana de Alimentação Orgânica no Espírito Santo. O evento, que tem o objetivo de esclarecer os consumidores sobre os benefícios dos produtos orgânicos, será marcado por um conjunto de atividades, que incluem desde palestras a oficinas de manipulação desse tipo de alimentos.
A abertura oficial da Semana de Alimentação Orgânica ocorrerá nesta terça-feira (29), às 19 horas, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Na ocasião, haverá sessão especial, exposição e comercialização de produtos orgânicos. No decorrer da semana, ocorrerão seminários científicos, palestras em instituições de ensino, exposições, feiras com degustação, dias de campo, oficinas na Grande Vitória, e ações localizadas nos municípios que envolvem o público consumidor.
De acordo com o pesquisador e coordenador do Programa de Agroecologia e Agricultura Orgânica do Incaper, Lúcio Demuner, a semana dos alimentos orgânicos visa esclarecer os consumidores sobre o que são os produtos orgânicos, abordando seus benefícios ambientais, sociais e nutricionais. “Queremos estimular a produção e consumo desses alimentos, pois são produzidos com base nos princípios agroecológicos, o que significa que são mais seguros para quem produz, para quem consome e para o meio ambiente, respeitando as relações sociais e culturais”, explicou De Muner.
Na agricultura orgânica não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde e o meio ambiente, como fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. As propriedades orgânicas buscam diversificar e integrar a produção de várias espécies vegetais e animais, com o objetivo de criar ecossistemas mais equilibrados e ajudar na manutenção da biodiversidade.
A Semana de Alimentação Orgânica é um evento realizado em parceria com diversas entidades filiadas à Comissão da Produção Orgânica do Estado do Espírito Santo (CPOrg), com destaque para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão (Incaper), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), com apoio do Sebrae-ES, Chão Vivo, Sóorgânicos, Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Faculdade Salesiano, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Santa Teresa, Colégio Marista, Restaurante D’Bem, Rodosol, e das ONGs Ideiazul, Amaparo Familiar, Apsad Vida, prefeituras municipais, entre outras.
Produção agroecológica no Espírito Santo
Atualmente, existem cerca de 200 agricultores certificados no Espírito Santo que produzem alimentos orgânicos, em cerca de 4 mil hectares. São 250 toneladas de hortaliças e 1000 toneladas de frutas orgânicas produzidas mensalmente, além de 8 mil sacas de café beneficiado por ano. Além disso, há 1.300 agricultores em processo de transição para a produção agroecológica, em cerca de 5.400 hectares.
As atividades agroecológicas e de agricultura orgânica são realizadas em 26 municípios capixabas, com destaque para Santa Maria de Jetibá, na região Serrana. Os principais produtos orgânicos do Espírito Santo são as hortaliças, além de abobrinha, abóbora madura, aipim, banana prata e da terra, batata doce e inglesa, brócolis, cenoura, couve-flor, chuchu, couve flor, ervilha, ovo caipira e cachaça. As frutas mais produzidas são laranja, mamão, manga e morango.
Pesquisas
No que se refere às pesquisas na área de agroecologia e agricultura orgânica, o Incaper desenvolve trabalhos gerando tecnologias adequadas ao sistema orgânico há mais de 20 anos. “Além de ser referência na pesquisa em olericultura, o Instituto oferece assistência técnica para dinamizar o processo de transição agroecológica. A maioria dos municípios capixabas contam com a participação direta dos extensionistas dos escritórios locais do Incaper no estímulo à prática agroecológica”, afirmou Lúcio Demuner.
Atualmente, o Incaper desenvolve projetos de pesquisa, com cenário de ampliação, visando atender às demandas de transição para a agricultura orgânica nas seguintes temáticas: olericultura, cafeicultura, criação de galinhas, sistemas agroflorestais, cultura alimentares e de plantas bioativas.
Na avaliação do coordenador do Programa de Agroecologia e Agricultura Orgânica do Incaper, Lúcio Demuner, muitas iniciativas já foram feitas, mas há desafios a serem vencidos nessa área. “Os produtos orgânicos ainda são mais caros do que os convencionais, principalmente devido aos custos com mão de obra na manipulação do composto orgânico e com a certificação, e há necessidade de ampliar a disponibilização de materiais genéticos mais adaptados ao sistema orgânico”, afirmou Demuner. Ele também mencionou a necessidade de desenvolver mais pesquisas com outros sistemas agroecológicos, como a produção de frutas, café e pecuária.
Incaper
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