temporada 2011-12, até maio, para o Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono
-, atendendo 2.202 operações. O BB responde por 80,2% dos recursos liberados
até o momento pelo programa, que tem como objetivo financiar a recuperação de
áreas e pastagens degradadas; a implantação de sistemas orgânicos de produção
agropecuária, de plantio direto na palha, de integração
lavoura-pecuária-floresta (ILPF), de florestas comerciais e de planos de manejo
florestal sustentável; e a adequação ou regularização das propriedades rurais
ante a legislação ambiental.
A informação foi repassada pelo
vice-presidente de Agronegócio da instituição, Osmar Dias, durante o Fórum
ABAG-Cocamar – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, realizado na
sexta-feira (18), em Maringá (PR), durante a 40ª edição da Expoingá. Considerando
que o Programa ABC destinou R$ 3,15 bilhões aos produtores, a demanda pelos
recursos ainda é pequena.
O ABC é a
ferramenta encontrada pelo governo para incentivar as práticas
conservacionistas, para cumprir com o acordo de reduzir 33,1% das emissões de
gás carbônico até 2020. Entre as metas estabelecidas pelo programa estão a
expansão da área de plantio direto brasileira de 25 milhões para 33 milhões de
hectares; a recuperação de 15 milhões de hectares de áreas degradadas; o
aumento em 4 milhões de hectares do sistema de ILPF e o plantio de 6 milhões a
9 milhões de florestas comerciais.
“Governo,
sociedade e principalmente o agricultor terão que garantir o cumprimento destas
metas”, ressaltou Dias. O ex-senador frisou que, na posição de vice-presidente
de Agronegócio da principal instituição financiadora do agronegócio brasileiro,
uma de suas funções é incentivar os produtores a investirem na expansão da
agricultura, adotando as práticas de conservação e garantindo a
sustentabilidade. As projeções de oferta e demanda mundial por alimentos são o
principal aliado de Dias nesta empreitada.
Números da FAO –
Agência para Alimentação das Nações Unidas – indicam que nos próximos 10 anos a
oferta mundial de alimentos terá que crescer 20%. O Brasil terá que contribuir
com 40% desta expansão. “Temos 101 milhões de hectares com área degradada e um
grande potencial de crescimento na produção de carnes e grãos, utilizando
tecnologia”, indicou.
ILPF
Dentro deste
contexto de aumento na população mundial, expansão da urbanização global e
crescimento na renda de países populosos, como a China e a Índia, o consumo
tende a aumentar. No setor de carnes, por exemplo, a perspectiva é de que,
entre 1990 e 2020, o consumo cresça 110% no Brasil, 182% na China e 31% no Mundo.
Além de uma maior oferta, a produção terá que acontecer de forma sustentável.
Este cenário
justifica a adoção de práticas como a Integração Lavoura, Pecuária e Floresta.
Além dos recursos disponibilizados pelo Plano Safra, outras medidas estão sendo
adotadas para expandir a utilização da ILPF. Durante o Fórum, foi ressaltada a
Rede de Fomento, um conjunto de instituições dispostas a dar apoio financeiro
ou tecnológico à prática. Entre os envolvidos, estão a cooperativa Cocamar, de
Maringá, a Embrapa e empresas como a John Deere e a Syngenta. A estes, deverão
ser associadas instituições de crédito, governo, universidades, entre outros.
No Arenito Caiuá,
no noroeste do Paraná, território formado por 107 municípios em uma área de 3,2
milhões de hectares e com solo arenoso e suscetível à degradação, há um grande
espaço para a intensificação da ILPF. São 2 milhões de hectares de pastagens, dos
quais 80% em degradação. Nesta região, a Cocamar tem projetos em
desenvolvimento em 2012 envolvendo 41 produtores, em 12 unidades, abrangendo
20,541 mil hectares, sendo 3,555 hectares de área de lavouras de grãos.
Os resultados não
demoraram a aparecer. Na Fazenda Santa Felicidade, no município de Maria
Helena, a produtividade da soja, em um ano de forte estiagem, com 35 dias sem
chuvas, ficou em 2.230 quilos por hectare, considerada boa pelas
características do solo. Na Fazenda Três Irmãos, em Iporã, o rendimento
impressionou ainda mais, batendo em 2.680 quilos por hectare.
“A Integração
está quebrando paradigmas na região, como o do arenito só ser adequado para
cana, mandioca e gado e de que a recuperação do solo é cara e ineficiente.
Apostamos na soja e estamos tendo resultados expressivos”, comemora o produtor
Antonio Cesar Pacheco Formiguieri, proprietário da Fazenda Santa Felicidade. “A
ILPF é garantia de sucesso na recuperação do solo, é a forma mais inteligente”,
diz, acrescentando que ainda há muito que avançar nesta direção na região.
Agrolink com informações de assessoria
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