Leite produtivo e com qualidade
Adoção de técnicas adequadas para a pecuária leiteira resulta em melhoria na produtividade e qualidade do produto e garante renda do pecuarista no campo
O município de Linhares, no norte do Espírito Santo, é um dos grandes criadores de bovinos do Estado. A pecuária de leite sempre foi uma importante aliada da economia regional, gerando renda e emprego no campo. Com o passar dos anos, os produtores foram aprimorando suas técnicas de manejo e melhorando a qualidade do produto.
É o caso da Fazenda Adriana, em Linhares. Em 2008, o pecuarista Cirilo Pandini Júnior mudou o sistema de criação do gado. Antes, ele havia trabalhado com pecuária extensiva. “Não sabia de ganhava ou se perdia”, diz o produtor, lembrando da falta de planejamento e adoção de técnicas mais eficientes na propriedade. “O que aconteceu aqui foi mudança de mentalidade”, destaca Pandini. Após iniciar o projeto com acompanhamento técnico, a fazenda passou a utilizar menor quantidade de terra e aumentou a produção. Com resultados satisfatórios, a meta é, em breve, chegar a produção de 3.000 litros de leite por dia com 170 vacas em lactação. “É um projeto de médio e longo prazo. A disciplina é fundamental”, aconselha o pecuarista.

Pandini adotou uma nova gestão na atividade leiteira
Para conseguir produzir o leite de acordo com as novas mudanças, o pecuarista tem que atentar para procedimentos essenciais na propriedade, como higiene, alimentação e bem estar animal. “O conforto do animal é importante. O sombreamento vai ajudar no bem estar das vacas”, ressalta Lúcio Cunha, engenheiro agrônomo, especialista em pecuária de leite. Nas horas quentes do dia, os animais da fazenda Adriana recebem mais conforto. O piquete para as vacas ‘pastejar’ é aberto no fim da tarde, em horário com temperatura mais amena. A arborização da área destinada a criação dos animais favorece o clima resultando em melhorias na produtividade.
O êxito na pecuária de leite vai depender muito dos trabalhadores que lidam diretamente com os animais. O carinho e a higiene podem ser o toque especial da atividade. A diminuição da lama, por exemplo, melhora a higiene e ajuda a prevenir a mamite (ou mastite), doença, muito comum em rebanhos bovinos leiteiros, que apresenta um processo de inflamação da glândula mamária, acompanhado pela redução de secreção do leite e pelo comprometimento da qualidade do leite produzido. A prevenção da mamite é fundamental para garantir qualidade do leite.
Quando ocorre período de muita chuva é necessário aumentar ainda mais o cuidado com a higiene, pois a maior quantidade de lama deixa o animal vulnerável a possíveis problemas. “O gado tem chegar limpo no curral”, diz o agrônomo. A atenção na ordenha deve ser redobrada para evitar resíduos no leite. No caso da ordenha mecânica, que é mais indicada devido a maior higiene, é necessário limpar bem os equipamentos. “A manutenção deve ser realizada para o bom funcionamento do processo”, diz Lúcio Cunha. Quando a ordenha for realizada de forma manual, o ordenhador deve lavar as mãos com sabão e água antes de começar a ordenhar ou sempre que necessário. A lavagem dos tetos com água clorada seguida da secagem com papel-toalha. É fundamental manter o local de ordenha sempre limpo e seco. A contaminação do leite durante a ordenha e as condições de armazenamento (tempo e temperatura) até chegar na indústria de laticínios são os principais fatores da perda de qualidade do leite.

O agrônomo, Lúcio Cunha, orienta sobre as técnicas adequadas de produção de leite
Aliada a boa higiene, a alimentação complementa a receita para o sucesso na produção leiteira. O rebanho da fazenda Adriana recebe alimentação indicada: pastagem com volumoso básico e suplemento com concentrado a base de milho e soja. Na época fria, a cana é inserida no cardápio dos animais. A alimentação adequada, aliada a genética bovina, proporciona teores de gordura e proteína compatíveis com o mercado. “Quando o leite é produzido atendendo a critérios do laticínio, recebemos bônus pela qualidade superior do produto”, diz Pandini.
Para o agrônomo, independente da estrutura da propriedade, os pecuaristas têm condições de atingir as metas estabelecidas seguindo os procedimentos necessários. “A obrigação é de produzir leite com qualidade é nossa, de toda cadeia do leite. E ela começa na propriedade”, finaliza.
Franco Fiorot
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