Cultivo de gengibre depende de cuidados no campo e procedimentos curiosos no beneficiamento

por admin_ideale

 


As festas juninas aquecem o mercado de um produto cada vez mais usado na culinária brasileira, o gengibre. A produção em São Paulo se concentra na região de Sorocaba, a pouco mais de cem quilômetros da Capital. O sucesso da atividade depende de cuidados no campo, e de alguns procedimentos curiosos no beneficiamento.

Por dia chegam em um galpão em Piedade, no interior de São Paulo, até 300 caixas de gengibre. A raiz de gengibre parece uma escultura e, tão curioso quanto o formato, é o processo de beneficiamento.

Antes de mandar para o mercado, o gengibre é lavado em um sistema que usa uma espécie de rede de pano submersa na água. Diferente de frutas e verduras, que são lavadas em esteiras, o gengibre é lavado nesse equipamento mais delicado. A engenhoca é movimentada por um motor que faz um balanço, até que as raízes fiquem limpas e bonitas, como exige o mercado.

– No pano não machuca a pele da mercadoria. E na máquina às vezes rala – disse Dilia Mesquita, responsável pelo beneficiamento.

No campo, a produção de gengibre também é bastante curiosa. A raiz começa a produzir com sete meses, mas pode ficar plantada por até dois anos. O produtor não precisa colher se não quiser. Elas não estragam. Teoricamente, o produtor poderia controlar a oferta e o preço. Só nesta época, quando aumenta muito o consumo, é que não dá para fazer esse controle.

– Têm muitos produtores neste tempo que também fazem a colheita. Daí é lá em cima, lá no pico que nós não controlamos. No Ceagesp é que a gente não tem controle – falou Rosário Oliveira, produtor rural.

Rosário diz que em outra época do ano até consegue segurar o produto na roça. Em dezembro e janeiro chegou a ganhar R$ 40 por uma caixa. Agora, vende pela metade.

– Mais para o futuro, lá pelos meses de setembro, outubro a gente consegue um preço melhor – observou Rosário.

Outros 15 produtores trabalham no mesmo sistema. Somando a produção de todos, eles acreditam que vão colher, este ano, 60 mil caixas. Diferente de muita gente que teve que reduzir a área de plantio na região de Piedade, eles continuam firmes no negócio, porque, segundo o agrônomo da prefeitura Alberto Shimoda, eles investiram na lavoura.

– Neste caso existe uma adubação verde e ela repõe a matéria orgânica. Então, favorece o melhor desenvolvimento da cultura – disse Alberto.

No ano passado, o município de Piedade produziu mais de 1,6 mil toneladas de gengibre. O agrônomo Alberto Shimoda diz que a estimativa é que este ano a produção seja menor; que não passe de mil toneladas. O que acontece é que os produtores plantaram menos.

Em 2010 as lavouras ocupavam 80, até 100 hectares. Agora, não mais que 60. Alberto diz que algumas variedades de raízes apresentaram doenças, o que deixou os produtores com medo de plantar. Ainda assim Piedade não perdeu o potencial de produção, porque a região é uma das mais favoráveis para o cultivo de gengibre.

– As condições climáticas favorecem esta produção. Então, tanto a umidade do ar, como a umidade do solo, são fundamentais para a produção do gengibre – frisou Alberto.

Uma festa junina que está acontecendo em São Paulo ajuda a explicar o aumento do consumo de gengibre nesta época. A festa dura duas semanas e tem Santo Antônio como padroeiro.

A barraca onde Regina Arthuzo trabalha serve, nestes dias, mais de oito mil copinhos de quentão. Para preparar a bebida, Regina usou 25 quilos de gengibre. A receita ela não conta para ninguém, mas garante que muito do sucesso depende da raiz.

– É o gengibre que dá aquele sabor picante. Aquele sabor gostoso mesmo da bebida – disse Regina.


 


Canal Rural


 


 


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