Crescem substancialmente as importações de leite, neste ano de 2011, comparativamente a 2010. Na verdade, as importações de derivados, leite em pó e soro de leite vem incomodando já há algum tempo, e a cada ano nos surpreende. Decorrência do câmbio sobrevalorizado e, agora, do recuo dos preços internacionais do leite em pó.
Considerando as quantidades importadas, o crescimento foi de quase 30%, mas se considerarmos o correspondente em leite equivalente, o crescimento equivaleu a 40%, no primeiro quadrimestre de 2011. E a maior parcela das importações deve-se ao crescimento das aquisições externas de leite em pó, caindo a importações de queijos (aproximadamente 1,50%) e principalmente soro de leite (17%).
Este é um problema estrutural grave para o fortalecimento da cadeia produtiva do leite, no País e no Espírito Santo, especialmente se considerarmos que há, em vários países, subsídios à produção interna e estímulos às exportações de excedentes, configurando-se atitudes comerciais indesejáveis, como o dumping já reconhecido pelo Governo, em algumas situações de importação de leite e derivados. De outra parte, muitas vezes há incentivos às importações e guerra fiscal nos estados, o que se configura uma contradição das políticas de desenvolvimento setorial, do país e dos entes federados.
A questão central, para os próximos anos, será: como assegurar a competitividade interna e externa, numa situação de desequilíbrio nas políticas setoriais, com ações divergentes e até mesmo conflituosas no âmbito da União e dos Estados, a exemplo do câmbio e da guerra fiscal entre os estados?
Enfim, esta não é uma solução simples, mas uma coisa é certa: se não houver convergência para a definição de uma pauta mínima de políticas, estratégias e ações, definidas pelos governos e pelos representantes legítimos dos produtores, pouco se avançará nesta questão.
A simples imposição de condicionantes sanitárias, ambientais, trabalhistas e de qualidades não surtirá os efeitos desejados de avanços competitivos na cadeia produtiva do leite. Pior, podemos estar induzindo os produtores de leite a abandonar paulatinamente a atividade, em busca de outras opções mais rentáveis, menos desgastantes, ou pelo menos que sejam mais prazerosas. De uma coisa é certa. Ninguém assumirá desafios que não sejam para satisfazer suas necessidades de renda e/ou de qualidade de vida. Mesmo porque, viver com pouca renda, ou no prejuízo, os produtores de leite já estão acostumados.
Wolmar Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico

