O governo cubano anunciou nesta terça-feira (03/05) que o café distribuído no programa de racionamento voltará a ser misturado com grão-de-bico pela alta dos preços internacionais e a baixa produção nacional, ao mesmo tempo em que eliminaram as cotas para consumidores de zero a seis anos.
O livro de “Controle de Vendas para Produtos Alimentícios” é um instrumento utilizado para o racionamento de comestíveis e outros artigos de consumo massivo.
Nesta terça-feira, o Ministério de Comércio Interior anunciou em nota que a medida entrará em vigor em maio e em consequência será reduzido o preço subsidiado da bolsa de café misturado de cinco para quatro pesos cubanos (US$ 0,15).
O comunicado indica que neste ano o preço do café ascendeu no mercado internacional em 69% em comparação com igual período de 2010, por isso que “decidiu produzir novamente café misturado com grão-de-bico”. Ressalta ainda que o custo do “grão” aumentou 30%, níveis “bem inferiores ao do café”.
“Adicionalmente se suprime a cota entregue aos consumidores de zero a seis anos”, acrescenta a nota, e precisa que apesar destas medidas o país ainda mantém subsídios no valor de 190 milhões de pesos ao ano.
Consumo
Como explica, na decisão influenciaram “os baixos índices de produção nacional” de café, cuja colheita 2009-2010 foi considerada uma das mais baixas da história no país, com 6 mil toneladas.
Em consequência, Cuba vem gastando anualmente US$ 50 milhões na importação do grão, e no último ano foi preciso comprar 18 mil toneladas para atender o consumo local. Em dezembro, o presidente Raúl Castro anunciou diante da Assembleia Nacional que a ilha não poderia dar-se “ao luxo” de continuar gastando esse dinheiro em importações de café para distribuir aos cubanos por meio da cartilha de racionamento, “incluindo às crianças e recém-nascidos”.
Nesse sentido, o líder disse que por “necessidade” voltará a misturar o café com grão-de-bico como era feito até 2005, e ressaltou que “para seguir tomando café puro e sem racionamento a única solução seria produzir em Cuba”.
Vigente desde 1962, a cartilha de racionamento teve cortes na oferta de produtos nos últimos meses como parte da política de reformas econômicas do Governo de Raúl Castro, que propõe sua “eliminação ordenada”.
Atualmente a cartilha distribui aos 11,2 milhões de habitantes da ilha produtos básicos como feijões, açúcar, frango, peixe, ovos, azeite, pão e arroz.
Agência EFE

