Não é estranho para ninguém que conhece um pouco da história recente da agricultura capixaba que já fomos muito melhores em infraestrutura de armazenagem oficial no Espírito Santo: Tínhamos armazéns do IBC, da CIBRAZEM e da CASES. Os dois primeiros, autarquia e empresa pública federal, respectivamente. A Cases, empresa pública estadual.
Sobre essa questão da armazenagem no Espírito Santo, em artigo de fins do ano passado sobre as deficiências na logística capixaba restou divulgado na imprensa local o justo lamento das lideranças da agricultura ficou com as perdas dos produtores, e os prejuízos que advirão com a destinação do armazém do IBC para outros fins que não o armazenamento de café e grãos dos produtores capixabas.
O Governo Federal anunciou, com pompa, o armazém de 50.000 toneladas de Viana, integrado à rede da Ferrovia Litorânea Sul. Este armazém é indispensável ao avanço da pecuária capixaba, especialmente a avicultura e a suinocultura. Nada mais foi dito, nem perguntado, até ontem. O vice-presidente da FAES, Abdo Gomes, acaba de redescobrir a lebre. Trata-se de voz de peso, pela liderança e expressividade dos representados, à qual deveriam cerrar fileira a AVES, a ASES e a Associação dos Criadores de Gado de Leite, para fortalecer o pleito e acelerar as tratativas para a imediata construção do armazém (ou silo) da CONAB, em Viana.
Historicamente, a avicultura e a suinocultura capixaba, e mais recentemente a pecuária leiteira, dependem de grãos (milho e soja) produzidos em outros estados, especialmente no Centro-Oeste. Não raro, os leilões com subvenção parcial do frete (PEP) discriminam os produtores capixabas, além de incorrer em encargos de tributos que seriam suavizados ou eliminados se o milho a transferir aos produtores fosse de propriedade da CONAB, posto no armazém de Viana.
Acredito que todos os segmentos de produtores e suas representações deverão estar juntos nessa demanda, até mesmo porque precisamos decidir também sobre o armazém que vai recepcionar o nosso café, porquanto o armazém do IBC de Jardim da Penha já não é mais dos cafeicultores capixabas, muito embora fora construído com recursos do FUNCAFÉ, composto por contribuições dos produtores.
Wolmar Roque Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural
e Desenvolvimento Econômico

