O mercado de insumos e produtos do agronegócio capixaba necessita urgentemente de informações mais bem depuradas e análises sistemáticas em todos os seus segmentos: do produtor ao varejo, passando pela transformação e pelo mercado atacadista.
Estamos muito atrasados, neste particular, se compararmos o agronegócio capixaba com as práticas dos estados mais próximos, especialmente com os da região centro sul, como Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Não fossem as informações segmentadas de algumas organizações de produtores, como a Associação dos Avicultores, e de cooperativas como a COOABRIEL, além de associações comerciais como o Centro do Comércio de Café de Vitória, estaríamos absolutamente no escuro.
O Serviço do Mercado Agrícola, do INCAPER/CEASA, registram preços diários de hortigranjeiros e reproduzem preços de outros produtos, com amostragem limitada e, principalmente, nenhuma análise sistemática.
Apenas para contextualizar, basta buscar em instituições públicas ou privadas, informações seriadas de preços de produtos agropecuários ou florestais. Certamente encontraremos muito pouco, e se encontrarmos, e nada de análise mais aprofundadas em termos de comportamento passado e de perspectivas de mercado. Nenhuma informação derivada como margens, mark-up, fretes, taxas contribuições e tributos incidentes etc.
Sinceramente, já estivemos mais bem servidos, no passado, quando tínhamos análises conjunturais de mercado e de custos de produção, com periodicidade pelo menos trimestral. E não tínhamos os recursos informacionais e de redes de que dispomos hoje.
A título de exemplo, busquem preços regionalizados de insumos, pagos pelos produtores, e dos preços do café arábica recebidos pelos produtores. Verão que as informações não estão disponíveis, nem as atuais e muito menos as séries de dois anos ou mais. Busquem também, preços de leite, madeira de floresta plantada, bovinos para abate etc. Nada estará disponível regionalmente, com encadeamento confiável das informações. Dados dessa natureza e outros sobre o mercado de produtos e insumos agropecuários, em vários estados, como os citados, estão disponíveis para todos os agentes do mercado, inclusive para os técnicos avaliarem riscos nos projetos de crédito que elaboram.
As fragilidades e distorções nas informações têm levado a questionamentos de representação de produtores, com ocorreu em 2007, para os preços do boi terminado prevalecentes no Espírito Santo, comparativamente a outros estados.
No café, não raro, são levantadas dúvidas sobre o reconhecimento, pelo mercado, dos esforços em melhoria de qualidade, estimulada pelo Estado, com ampla dedicação dos técnicos e dos produtores. No caso do leite, há reconhecimento de distorções regionais de preços pela pouca competição entre as empresas de laticínios.
No caso da madeira, o mercado tem balizado as aquisições de eucalipto a partir do preço pago pelo segmento de celulose, ainda que as especificações e o uso sejam para outros fins, a exemplo das serrarias e das empresas de tratamento de madeira.
Enfim, precisamos estruturar um sistema de inteligência de mercado, com participação dos governos, de empresas privadas e das cooperativas que produzam informações confiáveis em tempo real, gerem análises de conjuntura e sejam tratadas estatisticamente para arquivos em séries, visando estruturar um sistema de informações que tornem mais regionalizados os sinais do mercado, em preços e custos, permitindo análises estacionais e cíclicas de preços, margens, tributos, fretes etc. As análises comparativas são essenciais, considerando os estados concorrentes e o mercado mundial, para o posicionamento dos produtos numa visão global. Somente assim estaremos transmitindo informações mais segurar dos produtos agropecuários e das expectativas futuras para todos os segmentos do mercado capixaba.
Wolmar R. Loss
Engenheiro agrônomo – Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico

