A indústria de café deve enfrentar resistência de grande parte dos consumidores se quiser utilizar mais café robusta em suas misturas. Com os preços altos do café arábica, usar mais robusta pode ser uma opção economicamente viável, mas a qualidade dessa variedade é inferior. Segundo observadores do mercado, há alguns anos os consumidores da bebida passaram a conhecer melhor os diferentes tipos de café e, portanto, não aceitarão grandes mudanças. As torrefadoras raramente comentam sobre alterações nas misturas ou estratégias de compra.
“Economicamente, faz sentido mudar para o robusta, já que a diferença de preço é tão elevada”, afirma a analista do Macquarie, Kona Haque. “Onde é possível, suspeito que muitas torrefadoras estão tentando fazer isso.” No entanto, as tendências do mercado podem dificultar essa migração para o robusta.
“Os consumidores estão muito mais educados do que eram”, comenta Anya Gascoine Marco, diretora de alimentos e bebidas da Allegra Strategies. “Há mais marcas de melhor qualidade nos supermercados agora. Uma companhia como a Starbucks não vai mudar para o robusta”, avalia.
O resultado disso é que, diante dos preços elevados da commodity, empresas como Starbucks e J.M. Smucker estão repassando o aumento dos gastos para o consumidor. A J.M. Smucker informou ontem que aumentará em 10% os preços dos cafés Folgers e Dunkin Donut, vendido para lojas do varejo. Comerciantes disseram que o aumento de preço é preocupante, pois pode conter a demanda.
Marco afirma que “vai ser uma pressão sobre os produtores para manter os preços baixos, mesmo com custos elevados do café bruto, pois os varejistas não querem repassar o aumento para o consumidor”. As informações são da Dow Jones.
Agência Estado

