Com o objetivo de identificar as condições do tempo com mais precisão, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), pretende instalar um projeto que cria uma Rede de Monitoramento e Alerta Meteorológico. A partir dos estudos realizados, está prevista a implantação de radares meteorológicos e investimentos em recursos humanos, tecnologia e equipamentos para monitorar os vários aspectos naturais que ocorrem durante as quatro estações do ano.
O projeto foi apresentado nesta quinta-feira (03), para representantes de órgãos públicos e da iniciativa privada. Na oportunidade, eles conheceram dados sobre a atual rede hidrometeorológica do Espírito Santo. A rede de monitoramento do Incaper possui 28 estações meteorológicas, 53 pluviométricas e quatro fluviométricas, e ainda há previsão de instalação e operação em 2011 de mais quatro estações meteorológicas e duas estações plu-fluviométrica.
Segundo os dados do Incaper, o Estado ainda não tem condições de identificar com precisão os locais de ocorrência de eventos, como chuvas intensas, vendavais e granizo, pois não possui o radar meteorológico.
De acordo com o chefe do Sistema de Informações Agrometeorológicas do Incaper, José Geraldo Ferreira da Silva, a rede vai permitir identificar as condições do tempo, emitir alertas meteorológicos e informações que permitem o racional dos recursos naturais e dos insumos agrícolas. “É um sistema que irá disponibilizar informações para a utilização da sociedade em todos os setores, desde aeroportos, portos até a população em geral”, completou.
Ousadia
“Esse é um projeto muito completo”, afirmou o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Junior, que avaliou a proposta como ousada, pois nem no maior centro de meteorologia do Brasil possui a complexidade da rede sugerida.
A reunião de apresentação do projeto aconteceu na sede do Incaper e contou com a presença de representantes da Defesa Civil Estadual, Infraero, Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan), Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), Instituto Jones dos Santos Neves (ISJN), Fundação de Amparo a Pesquisa (Fapes), Agência de Serviços Públicos de Energia do Estado do Espírito Santo (Aspe), Inpe, EDP escelsa, Fibria e Capitania dos Portos do Espírito Santo, além de técnicos, pesquisadores e do diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo.
“Nós vamos aceitar esse desafio, pois hoje temos um sistema de meteorologia que antes ninguém acredita que conseguiríamos, logo depois fomos para a mídia e fizemos parceria com a Defesa Civil. Portanto se o Brasil não tem uma rede completa como essa, o Espírito Santo poderá ser o primeiro a fazer isso funcionar bem, pois é assim que o Estado está funcionando atualmente”, afirmou Melo, que ainda falou da finalização do projeto para ser apresentado aos outros secretários de Estado e a instituições de ensino superior.
O projeto da Rede – que foi apresentado por José Geraldo Ferreira e pelo meteorologista do Incaper Hugo Ramos – ainda integra uma ferramenta chamada Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (SISMADEN), que prevê a implantação de um sistema integrado de monitoramento e alerta para dar resposta a desastres naturais.
SISMADEN
É um produto de software, um sistema computacional, baseado em uma arquitetura de serviços, aberta, que provê a infraestrutura tecnológica necessária ao desenvolvimento de sistemas operacionais para monitoramento de alertas de riscos ambientais.
O sistema trabalha com três tipos de dados, que são: os Dinâmicos, pois informam sobre a condição do tempo, obtidos em intervalos pré-determinados; os Estáticos, que contêm informações sobre as pré-condições necessárias para a ocorrência de um desastre; e os Adicionais, que apresentam outras informações a fim de auxiliar a localização das áreas de risco e das populações ou equipamentos vulneráveis ao desastre analisado.
Radar Meteorológico
Esse é um tipo de radar usado na localização de precipitações, no cálculo de seus movimentos, na estimativa de seu tipo (chuva, neve, granizo, etc.) e na previsão de sua intensidade e posição futura. Radares meteorológicos modernos são, em sua maioria, radares do tipo “Doppler”, capazes de detectar o movimento das gotículas de chuva, além da intensidade da precipitação.
Os tipos de dados captados por esse tipo de radar podem ser analisados para determinar a estrutura de tempestades e seu potencial de causar um tempo severo. Atualmente, no Brasil, existem 23 radares meteorológicos espalhados por várias regiões de climas e geografia diferentes.
Otavio de Castro

