A Sara Lee Corp. já foi uma colcha de retalhos de marcas de alimentos e produtos para a casa e tem vendido ou desmembrado negócios há anos, numa tentativa de se concentrar nas divisões de alimentos e café. Agora a empresa vai se dividir em resposta às ofertas de aquisição que tem recebido recentemente.
A divisão internacional de panificação e bebidas, conhecida internamente como “CoffeeCo”, vai incluir as operações norte-americanas de bebidas. Sozinha, a CoffeeCo teria faturado US$ 4,6 bilhões no ano fiscal 2010. Entre as marcas dessa parte da empresa estão Douwe Egberts e Senseo, na Europa. No Brasil, a Sara Lee é uma das maiores no mercado de café torrado e moído com as marcas Pilão, Caboclo, Café do Ponto e Seleto, algumas delas compradas da Copersucar em 2000. Ainda não foi anunciado o nome oficial da CoffeeCo.
A imprensa tem divulgado nas últimas semanas que um grupo de investidores de private equity, bem como a produtora de carne JBS SA, comunicaram ao conselho de administração da Sara Lee que estão interessados em comprar a empresa inteira.
Mas os acionistas da Sara Lee disseram à diretoria que preferem que a empresa seja desmembrada em duas para que possam decidir melhor em que negócios investir seus recursos, disse numa teleconferência com investidores Marcel Smits, que foi escolhido para ser o diretor-presidente da Sara Lee até ela ser dividida.
Smits, também um candidato a comandar a Sara Lee e diretor-presidente interino, indicou que seu futuro na empresa após o desmembramento é incerto. O conselho decidiu unanimemente na quinta-feira separar a empresa, disse ele.
Smits disse que as duas novas empresas serão mais atraentes para os acionistas como “apostas puras” num setor, em vez de um conglomerado com operações díspares, mas alguns analistas questionaram se o desmembramento vai render tanto quanto a venda para outra produtora de carnes ou um consórcio de firmas de private equity.
De acordo com os atuais planos, a Sara Lee terá de desembolsar US$ 900 milhões em impostos este ano fiscal devido à venda de sua divisão de produtos para a casa e de cuidados pessoais, e também com a subsequente repatriação da Europa para os EUA dos recursos obtidos, que serão usados para financiar o dividendo e recompras de ações. Vários analistas disseram durante a teleconferência que não entendem por que a Sara Laa não suspende o dividendo e adia o pagamento dos impostos até que a empresa seja desmembrada e a CoffeCo possa tirar proveito da carga tributária menor na Holanda.
Smits disse que a decisão de desmembrar a empresa não foi motivada por questões tributárias, mas não quis dar mais detalhes sobre os motivos da operação.
Smits disse que a eliminação do escalão de administração que supervisiona as divisões operacionais ajudará a compensar os custos criados pela cisão em duas empresas. Ele também disse que o começo do processo de desmembramento não impede que o conselho mude de ideia e aceite uma proposta de aquisição pela Sara Lee inteira caso surja uma oferta atraente.
A Sara Lee prevê que as duas novas empresas terão uma carga tributária de 35%, mas Smits, que é contador e advogado tributarista, disse que a transferência da sede da CoffeeCo para a Europa é uma opção que está sendo estudada para diminuir essa carga.
Enquanto isso, a Sara Lee escolheu Jan Bennink para ser o membro presidente executivo do conselho encarregado de supervisionar o desmembramento. Bennink, que já foi diretor-presidente da Royal Numico e atualmente é conselheiro da Coca-Cola Enterprises Inc., vai substituir Jim Crown, que assumiu a presidência do conselho em maio e vai continuar sendo o principal conselheiro independente. O diretor financeiro interino, Mark Garvey, também vai passar a ocupar o cargo em regime permanente.
The Wall Street Journal

