“Positivo”

por admin_ideale

 


“Tá boa”. A cada afirmação da avaliação do resultado da inseminação artificial nas vacas da Fazenda Gota D’água, o semblante do produtor José Roberto Frigini Pinto fica animador. “Positivo”, afirma novamente José Carlos Bambini, médico veterinário que analisa o rebanho após 60 dias de inseminado. O pecuarista vai anotando em sua planilha os dados para acompanhar o desenvolvimento do método iniciado por seu pai, Geraldo Pinto, há quase 30 anos, em Linhares, norte capixaba. “Antes era mais difícil a questão de fornecedores de sêmen. Hoje temos mais facilidade de acesso, conhecimento e assistência”, diz José Roberto.


Nesse tempo, a técnica cresceu muito no Espírito Santo e Zé Roberto observou a evolução no seu rebanho. Os resultados aparecem de forma gradativa. Antes a produção leiteira na fazenda era, na média, de sete litros diários por animal. Hoje, é de 12 litros de leite, já alcançando em alguns lotes de animais 20 litros. O número pode ser ainda maior com o manejo do pasto, utilizando irrigação e adubação nos piquetes. “Para obter os resultados com a produção leiteira, primeiro é necessário oferecer comida ao animal com boa quantidade e qualidade. Depois, entra com a melhoria genética. Sem alimentação ideal, a genética não desenvolve”, afirma Bambini.


 



Zé Roberto observa o rebanho. Uso da inseminação tem resultado em aumento na sua produção


 

As 145 vacas que estão em lactação na Gota D’água recebem pastagem mais suplementação de cana corrigida em épocas de seca. Do total do rebanho leiteiro, atualmente, 40% é fruto de inseminação. O pecuarista insemina seu rebanho com sêmen sexado (fêmea). Com isso, a probabilidade do animal gerar uma fêmea é de 90%, favorecendo a atividade leiteira da propriedade. O valor do sexado é cerca de três vezes mais que o convencional.


Além do investimento com o sêmen, para adotar a técnica é necessário adquirir o botijão e o material de inseminação. O investimento destes dois últimos fica em torno de R$ 2.200,00. Já o sêmen varia de preço de acordo com o tipo, mas é encontrado no mercado no valor médio de R$ 20,00 (sêmen convencional) e entre R$ 45,00 e R$80,00 (sêmen sexado). Para incentivar essa prática, no mês de agosto, a Secretaria Estadual da Agricultura (Seag) doou 85 botijões de armazenamento de sêmen bovino para cooperativas de produtores de leite, criando novos núcleos de inseminação artificial no Espírito Santo. Além de distribuir os botijões, a Seag, juntamente com o Incaper e outros parceiros, oferece treinamento para os trabalhadores que irão atuar na inseminação artificial. São dois centros de treinamento, um em Linhares e outro em Cachoeiro, por onde já passaram mais de dois mil alunos.


 



Bezerras se alimentam nas ‘casinhas’ por 90 dias após nascimento


 

De acordo com o secretário de Agricultura, Enio Bergoli, metade da area agrícola do Espírito Santo é utilizada para a pecuária, sendo que 70% do leite adquirido pelas cooperativas vêm de agricultores familiares. “Estamos trabalhando para que estes pequenos pecuaristas tenham acesso à tecnologia disponível, possam melhorar sua renda e a qualidade dos rebanhos, além de reduzir o custo da produção. Esperamos beneficiar cerca de dez produtores por núcleo”, afirma.


As vacas holandesas e guzerás vão passando uma a uma pelas mãos do veterinário, enquanto o pecuarista torce pelo sucesso da inseminação. Na média brasileira, cada vaca inseminada recebe de 1,7 a 2,0 doses de sêmen para conseguir ficar prenha. “Isso depende de vários fatores, como clima e alimentação do animal”, diz Bambini. Os cuidados na hora de realizar o procedimento de inseminação é muito importante para conseguir o resultado esperado e evitar o desperdício do material. De acordo com o veterinário, o inseminador precisa ter tranqüilidade e bastante higiene. “Deve-se observar muito bem o período de cio da vaca. Ela solta um muco cristalino, a vulva dela fica inchada, ela aceita a monta e urina com freqüência”, explica o veterinário. Quando é diagnosticado que a inseminação não ‘pegou’, é necessário esperar 21 dias para tentar um novo procedimento no animal.


Os resultados do investimento feito pelo Zé Roberto, frutos da inseminação, podem ser observados em uma espécie de casinha instalada na pastagem. Ali, os bezerros ficam até os 90 dias recebendo um tratamento especial, a base de leite e ração, para depois seguir para os piquetes no pasto. Assim, a produção de leite da fazenda vem aumentando a cada ano. No mesmo caminho, a técnica ganha cada vez mais adeptos nas propriedades capixabas.


 


Revista Campo Vivo


reportagem publicada na edição 07

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