ARTIGO – Outras Revelações do PIB do Agronegócio Capixaba

por admin_ideale

 


Os técnicos do Instituto Jones dos Santos Neves construíram um texto para discussão (Doc. 20) em que explicitam a metodologia utilizada para uma primeira aproximação do cálculo do PIB do Agronegócio Capixaba e os resultados obtidos, para a série de 2004 a 2010. Este documento foi a base para a coletiva dos gestores maiores do IJSN e da SEAG, cuja exposição traz ao final o reconhecimento dos créditos aos autores do documento referenciado acima.


A iniciativa do cálculo do PIB do agronegócio Capixaba é meritória e pioneira no Espírito Santo, o que significa dizer que tudo o que se quantificou antes deste estudo sobre a expressão do agronegócio capixaba como proporção do PIB foi chute. Aliás, inventar e chutar números na economia capixaba tem sido a regra. Poucos são os dados e informações que se sustentam em análises e estudos consistentes.


Apenas para recordar, o texto divulgado e a base da exposição da coletiva revelam números do PIB construídos a partir de quatro agregados: a) Insumos e serviços a montante do processo produtivo; b) atividades agropecuárias e florestais propriamente ditas; c) Indústria de base agropecuária e florestal; c) Transporte, Comércio e Serviços vinculados à distribuição e comercialização de produtos agroindustriais do setor. 


Sem negar tudo o que foi exposto e falado, os cálculos dos técnicos do IJSN permitem derivar mais informações e conclusões relativas ao comportamento do PIB do Agronegócio, extraídas das tendências da série utilizada.


Considerando os dados dessazonalizados de participação no PIB no Agronegócio, em seus diferentes agregados, verifica-se que no período houve comportamento desigual no crescimento dos agregados. Considerando os anos cheios, o PIB Total cresceu 51,72%, enquanto o PIB da agropecuária cresceu mais, ou seja, 56,71%. Cresceram mais do que o PIB do Agronegócio os agregados dos Insumos (59,41%) e dos Transportes, Comercio e Serviços (68,76%). Cresceu menos o agregado da Indústria de base agropecuária e florestal (18,54%), e isto explica porque o PIB do Agronegócio ficou com crescimento inferior ao PIB da agropecuária e florestal.


Mas é revelador constatar que, antes da porteira (insumos) e depois da porteira (transporte, comércio e serviços) tiveram participação crescente no PIB do Agronegócio, excetuando-se a indústria de base agropecuária, que menos cresceu em participação, confirmando o baixo valor agregado no agronegócio capixaba ( especialmente café).


O fato de que os insumos e os serviços pós-colheita tenham apresentado comportamento ascendente no período, proporcionalmente ao PIB da Agropecuária, releva que, comparativamente, as relações de trocas foram desfavoráveis para os produtores rurais. Apesar do significativo crescimento da agropecuária. Que implicações, mantidas essas tendências, teremos para o futuro?


 Reconhecendo que o PIB isolado do setor primário tende a decrescer em importância, e que insumos, indústria e serviços tenderão a ser cada vez mais significativos em termos do agronegócio, então não há saída: O caminho é construir organizações e estabelecer parcerias para que os produtores se apropriem de rendas extra-porteira. As cooperativas agropecuárias e de serviços tem um amplo trabalho pela frente e seguramente são as que podem adensar renda para os produtores.


Além disso, embora os insumos tenham ainda peso relativamente pequeno na composição do PIB do agronegócio (8,70%), seu crescimento desproporcional na série revela vulnerabilidades futuras da produção rural, para os padrões de dependência de insumos que as tecnologias agropecuárias nos estão impondo. E isto tem efeitos regressivos para os produtores, prejudicando os de menor renda e aqueles menos integrados ao mercado.


Estes desafios já são conhecidos. O mérito do estudo dos técnicos do IJSN é o de que em algum sentido eles podem ser mais bem visualizados e até mesmo medidos.


 


                                                                                            Wolmar R. Loss


                                                               Engenheiro Agrônomo, Mestre em economia rural e desenvolvimento econômico

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