Diante do maior interesse tanto da classe média emergente em tomar café e dos grupos de maior poder aquisitivo em escolher uma marca de café especial no fim da refeição, a cafeicultura brasileira tem assistido a uma intensa movimentação. Grupos estrangeiros e grandes companhias reforçam sua posição e ampliam seu leque de marcas nacionais, enquanto, para sobreviver à disputa, pequenas e médias empresas fazem aquisições e investimentos em cafés especiais com maior valor agregado.
Há quinze anos, só duas estrangeiras – Mitsui eMelitta – atuavam no mercado doméstico e respondiam por menos de 10% do segmento. Hoje, esse percentual pulou para 50%, com a aquisição da Café Damasco pela americana Sara Lee, dona das marcas Pilão, Café do Ponto e Seleto, que com a compra reforçou sua atuação no Sul do país. Com esse movimento, as pequenas e médias empresas tiveram de reagir para sobreviver.
O Grupo Caiçara Alimentos, de Jundiaí, interior de São Paulo, anunciou recentemente a aquisição de uma das marcas mais tradicionais do país, o centenário Café São Joaquim, de Campinas. “O mercado está muito competitivo e para crescer precisamos ampliar a escala e área de atuação, adquirindo marcas reconhecidas”, diz o diretor da empresa, Tadeu Pignata.
Para atuar no grande varejo e chegar às gôndolas e preferência dos consumidores, as pequenas e médias empresas precisam ter melhor gestão, profissionalização, escala e portfólio de produtos para atender às exigências dos grandes varejistas. “Os pequenos estão sendo forçados a mudanças para que possam sobreviver”, analisa.
O consumo de café aumentou com a melhoria da renda e nível de emprego. Projeções das empresa mostra que este ano cerca de 20 milhões de sacas de café serão exportadas, mais 6% em relação a 2009. O consumo interno deve crescer acima das exportações. Nesse cenário, para sobreviver ao competitivo mercado, as empresas menores não têm apenas comprado outras companhias, mas também buscam novos nichos para agregar valor ao produto vendido. Um exemplo é o do Café Serra da Grama, produzido em São Sebastião da Grama, no interior de São Paulo.
O relacionamento com a rede francesa de lojas de alimentos e bebidas não é novo. Em 2005, com ajuda da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), a empresa havia exposto seu café na Hèdiard, que naquele ano já tinha um espaço para produtos nacionais, em razão da comemoração do ano do Brasil na França.
Neste ano, com o espaço novamente aberto na França, a repercussão tem sido a positiva e contribuído para aumentar os negócios. “Estamos conversando com redes brasileiras de varejo, interessadas no nosso café, e estamos conversando com a Hèdiard para podermos entrar em sua linha de produtos”, afirma Mariângela.
Com as grandes empresas tendo espaço cada vez maior no mercado nacional, a empresária acredita que investir em nichos é uma solução atrativa. “Nesses nichos, pode-se profissionalizar, ter maior qualidade e trabalhar com um produto de alto valor agregado, que são os cafés especiais”, diz. Os pés de café da fazenda Taramelli têm plantio e colheita manual, secagem adequada e torrefação no ponto.
Valor Econômico

