Os dados da agricultura da Bahia apontam para o fechamento do ano de 2010 com a produção de uma safra recorde de grãos, atingindo um total de 6,6 milhões de toneladas. O montante representa um crescimento de quase 11% em relação ao ano de 2009, quando a safra baiana foi de 5,9 milhões de toneladas.
Os números são relativos ao mês de outubro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão vinculado à Secretaria Estadual do Planejamento.
“A previsão que se faz da safra de grãos para esse ano é, seguramente, a maior da história da Bahia”, afirma Luiz Mário Vieira, coordenador de Acompanhamento Conjuntural da SEI.
Para o algodão, a previsão é de crescimento de 8,6%, enquanto o feijão terá desempenho mais modesto, variando positivamente em 3% com produção de 352 mil toneladas.
No caso do algodão, mesmo coma redução das áreas plantadas e colhidas em relação a 2009, cerca de 7% para cada caso, uma maior produtividade por hectare, de 16,7%, foi decisiva para o produto obter estimativa positiva em 2010.
De acordo com o coordenador de Acompanhamento Conjuntural da SEI, aquedade5%prevista para a safra de milho acontecerá em razão da escassez de chuvas durante o período de safra.
Já o feijão, que na primeira safra apresentou um resultado negativo da ordem de 13%, também por causa da falta de chuvas, se recuperou na segunda safra e por isso teve em sua estimativa um crescimento de 3% em relação à safra anterior.
Outros produtos importantes pesquisados pela LSPA também obtiveram estimativas positivas para 2010 na comparação com o ano passado. A cana-de-açúcar tem previsão de crescimento de 20,6%, seguida da mandioca, com 11%, do café, incremento de 9,9%, e o cacau, com 3,6% . “Para 2011, dois fatores garantirão uma boa safra: a alta nos preços dos grãos – em razão dos baixos estoques e a crescente demanda internacional – e a perspectiva de clima favorável, principalmente na região oeste do Estado da Bahia”, * A agricultura familiar na Bahia representa 15% do total da agricultura familiar brasileira com os seus mais de 665 mil estabelecimentos rurais explica Luiz Mário Vieira.
Para o Brasil, segundo análise do IBGE, tendo por base o LSPA do mês de outubro, a décima estimativa da safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas, indica uma produção da ordem de 148,8 milhões de toneladas, superior em 11% à obtida em 2009 (134,0 milhões de toneladas) e 1,9% superior à safra recorde de 2008 (146 milhões de toneladas).
A área a ser colhida em 2010, de 46,6 milhões de hectares, apresenta decréscimo de 1,4%, frente à área colhidaem2009. As três principais culturas, que somadas representam 91,1% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, o arroz, o milho e a soja, respondem por 83,5% da área plantada. “No que se refere à produção, o milho e a soja apresentaram, nessa ordem, crescimento de 8,5% e 20,3%, enquanto que o arroz decréscimo de 10,2%”, assinala Carla do Nascimento, da Coordenação de Conjuntura da SEI.
O último levantamento do Censo Agropecuário 2006 apresentou estatísticas que revelaram a importância da agricultura familiar na Bahia. No caso da mandioca, por exemplo, 91,4% do Valor Bruto da Produção (VBP) são gerados por esse segmento social de agricultores.
Com o feijão esse percentual do VBP é de 84,5%, 46% para o milho e 27,6% do café, com repercussões positivas na economia dos municípios e regiões baianas.
A Tarde

