O presidente executivo do Sincal, Armando Matielli, faz críticas contundentes ao período do governo Lula em relação à cafeicultura. “Vejo como um dos piores da história para o café”, afirma o dirigente, em entrevista exclusiva ao Coffee Break como parte da serie “O presidente e o café”.
Para ele, o setor cafeeiro sofreu um dos piores revezes da década. “No governo Lula houve descaso com o setor cafeeiro. Apesar do empenho das lideranças, elas não foram ouvidas”, aponta Matielli.
Segundo o presidente do Sincal “havia incompatibilidade política por parte do governo, apesar do grande empenho de lideranças, como a do presidente da Frente Parlamentar do Café, deputado federal Carlos Melles, do Conselho Nacional do Café (CNC) e também Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Na verdade, o governo Lula trabalhou com pirraça contra a cafeicultura”, lembra Armando Matielli.
Pontos nevrálgicos
Armando Matielli diz que o Sincal faz um trabalho de estudo do setor, com o objetivo de apontar os “pontos nevrálgicos” da cafeicultura. Ele diz que esses aspectos têm que ser considerados para que o setor passe por uma transformação definitiva e que auxilie na formatação concreta de políticas para o produtor.
Segundo o presidente do Sincal, os pontos são:
1- Melhor planejamento estratégico e gestão,
2 – Mudar a comercialização dos cafés brasileiros da bolsa de valores de Nova York para a bolsa de valores de Chicago. “A bolsa de Nova York não representa o nosso café. Essa bolsa tem como referência o café colombiano, que não é igual ao nosso”, explica. Matielli recomenda que a comercialização passe a ser feita pela bolsa de Chicago, onde “teríamos como vantagem não ficar mais preso a Nova York, que usa o raciocínio que o café brasileiro é inferior, vendendo abaixo do preço”, reclama.
“Todos esses pontos já deveria estar implantados há 15 anos. Assim o produtor não estaria passando por tantas dificuldades”, completou Matielli.
Futuro
Quanto às ações para a cafeicultura nos governos estadual e federal, com o governador Antonio Anastasia e a presidente Dilma Rousseff, Matielli se diz esperançoso. “Estou otimista com a iniciativa do Anastasia na criação do Fundo Estadual do Café, com o apoio dos deputados de nossa região. Eles são capazes de fazer do café o que ele realmente representa, como o grande produto brasileiro e ainda pode representar muito mais”, ponderou.
“Quem vai mudar a política de café será Minas Gerais. Temos que tirar a vantagem de ser o estado maior produtor de café do país”, finalizou o presidente do Sincal, Armando Matielli.
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