Café: Não é objetivo ser policialesco, diz ministério

por admin_ideale

 


A nova normatização para o setor do café visa apenas a qualidade do alimento que chega ao consumidor. “Não é intenção do Ministério da Agricultura ser policialesco”, diz Maçao Tadano, diretor do Dipov (Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal).

Pela nova instrução, as empresas terão dois caminhos para classificar seus produtos. Contratar o serviço de empresas registradas no ministério ou fazer o registro no ministério para ter um classificador.
No momento, nenhuma das duas opções é possível.

Fábio Fernandes Florenço, coordenador do Dipov, reconhece as dificuldades na montagem dessa estrutura, mas diz que os primeiros passos, após a vigência da instrução, serão mais orientativos. “É uma contribuição para melhorar o café”, diz ele.

Almir José da Silva Filho, presidente da Abic, diz que a reação de parte do setor ocorre porque o tempo é curto para implementar as medidas, “mas a instrução vai promover a melhora do produto do cafeicultor ao consumidor”.

Sidney Marques Paiva, do café Bom Dia, diz que, para a grande indústria, não haverá grandes problemas de adaptação, à exceção da burocracia para se cadastrar.

Para Ambrozio Cohen Assayag, da Café Manaus (AM), “essas medidas vão burocratizar o que já é ruim. Quando entra o governo, começa o infortúnio de quem tem de cumprir a legislação”.

Mario Panhotta, da Cooxupé, maior cooperativa de café do país, diz que o produtor não produz café de baixa qualidade por opção, mas devido a problemas climáticos, como neste ano.

“A instrução é um desafio e tem de ser implementada, mas o produtor não deve pagar a conta sozinho”, diz ele.

Guilherme Braga, do Cecafé (setor exportador), diz que, do lado dos exportadores, não há grandes alterações. Já os importadores -que começam a ter maior peso, com a entrada de produtos de valor agregado das multinacionais- estão preocupados.

“Como classificar as cápsulas se o governo não tem equipamentos adequados para isso?”, indaga um importador. Além disso, o produto pode ficar dias parado no sol no porto, prejudicando sua qualidade, diz esse mesmo importador.


 


Folha de São Paulo

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