A procura por financiamento para custeio da safra que está sendo plantada cresceu 8% em relação ao ano passado, segundo o Banco do Brasil. A instituição diz que o número de contratos só não foi maior porque a seca prolongada em boa parte do país atrasou o plantio. No entanto, alguns agricultores reclamam da demora na aprovação do crédito.
Para custear os 640 hectares de soja, milho e feijão, o produtor Genésio Muller calculou que precisaria de R$ 527 mil. Entretanto, conseguiu apenas a metade. Quase todo o dinheiro já foi utilizado somente para pagar o adubo.
– O resto dos insumos e sementes, fiz soja verde futura para entregar em abril para poder honrar com os compromissos e poder pagar funcionários, óleo diesel e as despesas de casa – disse Muller.
O produtor queria outro financiamento para comprar um pivô de irrigação, fundamental para manter a lavoura durante o período de seca. Porém, como está pagando dois empréstimos de safras anteriores, o banco ainda não liberou o dinheiro.
– Paguei duas prestações de mais de R$ 80 mil e eles não deduzem daquele valor. Eles ficam considerando o total do valor, ainda contabilizando como dívida e não é – explicou.
Para o Banco do Brasil o volume de contratações está dentro do esperado.
– Poderia ter sido maior se as chuvas não tivessem atrasado e se os custos de produção fossem similares ao do ano passado. Isso impacta na tomada de recursos. O agricultor não precisa de tanto dinheiro para cobrir os seus custos – avaliou o vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto.
Dos R$ 42 bilhões previstos para financiar a safra 2010/2011, R$ 12 bilhões já foram liberados de julho até agora. O valor é 8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, e 400 mil contratos foram firmados.
– Para cada contrato da agricultura empresarial, quatro contratos da agricultura familiar. E no que se refere a recursos é o inverso: para cada real na agricultura familiar, você tem quatro na empresarial – concluiu Guedes Pinto.
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