Terra dos Colibris, da uva e do vinho, Santa Teresa também quer ser a terra do leite e do queijo. Para tanto um projeto vem mobilizando produtores rurais e órgãos públicos.
Trata-se do Balde Cheio – Leite com Técnica, que a partir das primeiras ações em 2008 conseguiu reduzir em 1.200% a área de pastagem do gado leiteiro e aumentar em 106% a produção de leite, conforme os dados de agosto último. E tudo isso reduzindo os impactos sobre o meio ambiente.
Atualmente são 14 famílias que produzem em média 1.7 mil litros de leite por dia. Destes, mil litros são vendidos in natura num preço médio de R$ 0,77 o litro. Já os outros 700 litros vão para a produção de 77 quilos de queijos, vendidos a R$ 12 o quilo. Tudo isso significa uma receita bruta de R$ 624, 150 mil por ano para as famílias.
“Isso mudou a realidade dos produtores de leite. Para muitas famílias é um complemento de renda importante e para outras, como a minha, já é a principal fonte de renda. Vamos investir no aumento da produção”, comemorou o produtor Geraldo Luiz Romagna, que possuiu 33 hectares de terra em Nova Valsugana e atuamente só utiliza 0,3 ha com apenas três vacas dando leite.
Novas técnicas
Conforme o secretário de Agricultura de Santa Teresa, Jorge Natalli a iniciativa é voltada para a agricultura familiar e para o agroturismo e o crescimento na produtividade só foi possível pela introdução de novas técnicas.
“Antes os animais ficavam solto por grandes extensões de terra e tinham pouco rendimento, além de provocar impactos como a compactação do solo com a movimentação dos animais. Agora usamos a técnica do Piqueteamento Rotacionado, que significa pequenas áreas onde os animais ficam a cada dia se alimentando de forrageiras (capins), enquanto as outras áreas ficam em repouso recebendo adubação e irrigação. Isso inclusive libera áreas para preservação ou outras culturas”, explicou Natalli.
O técnico Luiz Gonzaga, da Associação dos criadores de Gado de Leite do Estado, acrescentou que além das forrageiras, as vacas em lactação ainda recebem um pequeno complemento de cana picada e uma ração concentrada de milho e soja.
A Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) repassou dois tanques resfriadores e dois botijões de sêmem. Já o Instituto Federal de Santa Teresa (Ifes) presta consultoria técnica ao projeto.
Saiba mais
– Em julho de 2008 eram 219,5 há usados para produzir 826 litros de leite/dia
– Atualmente, setembro 2010, são 16,5 ha usados para produzir 1700 litros/dia
– Em agosto de 2008 em 1 ha eram produzidos 3,76 litros
– Em setembro de 2010 em 1 ha são produzidos 100,29 litros
– A prefeitura repassa mensalmente cerca de R$ 3.250 mil ao projeto, além de disponibilizar um técnico agropecuário exclusivo.
– O soro, resíduo do leite, é usado na alimentação de porcos e o esterco transformado em adubo para plantações e as próprias forrageiras
Fabrício Ribeiro

