A safra brasileira de café em 2010 será de 47,2 milhões de sacas de 60 quilos, de acordo com a terceira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume é 19,6% superior ao colhido no ano passado, que foi de 39,5 milhões de sacas. O resultado é efeito da bienalidade positiva da cultura, que é intercalada entre um ciclo alto e outro baixo.
No Espírito Santo, a estimativa foi realizada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, e aponta para uma produção de 10,07 milhões de sacas de café, sendo 2,74 milhões de arábica e 7,33 milhões de Conilon. Em relação à safra de 2009, a de arábica cresceu 5,3% e a de Conilon caiu -3,6%, o que resultou numa redução total de -1,3% na safra dos cafés capixabas.
“Esses percentuais de queda se relacionam à safra passada. Se considerarmos as expectativas de produção para esse ano, antes da ocorrência da seca no final do ano passado e início deste ano, a queda é de cerca de 30%, com muitos prejuízos para os cafeicultores que investiram em lavouras, em novas bases tecnológicas que entraram em produção neste ano de 2010”, afirma Enio Bergoli, secretário de Agricultura do Espírito Santo.
No Espírito Santo, a seca ocorreu num momento crítico e durou três meses, justamente na fase de maior demanda de água pelos cafezais, que é o período de enchimento de grãos, principal período que determina a produção de café, afirma Bergoli.
Nessa terceira estimativa, com mais de 90% do café já colhido e beneficiado, verificou-se no Espírito Santo uma redução significativa na produção, mesmo em um ano de safra alta em todo o Brasil. Com a seca, os grãos de grãos de café também ficaram de pequeno tamanho e mal formados.
Segundo o presidente do Incaper, Evair de Melo, em momentos de crise é que se torna essencial investir em tecnologias modernas de cultivo, como a utilização da irrigação, poda e de variedades mais resistentes à seca. “Produtores que tiveram suas lavouras irrigadas e utilizaram as técnicas adequadas de cultivo e colheita sofreram menos com os efeitos da seca e tiveram menor perda em produção e produtividade comparados aos que não se preparam para a seca. Utilizar as boas práticas agrícolas recomendadas pelo Incaper e produzir com qualidade é o caminho para não perder espaço no mercado”, afirma Evair.
Dos principais produtores de café do Brasil, apenas o Espírito Santo teve redução na estimativa de safra para esse ano. Contudo, ainda permanece como segundo produtor nacional de cafés, com 21,3% da safra nacional. Os cafeicultores capixabas são ainda os primeiros na produção do café Conilon, com a participação de 66% no total da safra de 2010.
Para o coordenador de cafeicultura do Incaper, Romário Ferrão, esperava-se para o Espírito Santo safra recorde, tendo, no mínimo, crescimento na mesma percentagem brasileira (19,6%). Entretanto, a seca prolongada e as altas temperaturas, na maioria dos municípios capixabas, interferiu no resultado final da produção estadual, devido ao chochamento e queima dos grãos. As perdas poderiam ser ainda maiores se os produtores não estivessem renovando seu parque cafeeiro sob novas bases tecnológicas.
Terceira estimativa de safra cafeeira no Estado do Espírito Santo, 2010/2011
Comparação das safras de café no Espírito Santo
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Comparação das safras de café no Brasil
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Karyna Amorim

