Seca atrasa plantio e pode afetar culturas de café e cana-de-açúcar

por admin_ideale

 


A baixa umidade relativa do ar atinge vários estados do Brasil. No segmento de grãos, é possível dizer que a falta de chuva até agora foi inclusive benéfica em alguns casos. O trigo, plantado no inverno, teve sua colheita acelerada no Sul e passou a correr menos risco de embolorar.


O milho safrinha semeado no Paraná já foi todo colhido e não sofreu, enquanto em São Paulo os trabalhos também já estão quase finalizados. Outro produto que já está com a colheita acelerada é o café e a seca na fase final da safra colabora para a fermentação ideal do grão.


Daqui para frente, contudo, o cenário muda. Se persistente, o déficit hídrico afetará a florada das próximas safras de café e laranja, reduzirá a produção de cana – e esta já sente os efeitos adversos da estiagem –, baixará a oferta de lácteos e aumentará a de boi e adiará o início do plantio da próxima safra de grãos de verão, programado para meados de setembro. Esta possibilidade já virou uma probabilidade concreta – para se tornar uma certeza falta quase nada. Diferentemente do que ocorreu no ano passado, não há chuvas no horizonte até a segunda quinzena de outubro.


Produção de café – O clima quente e seco nas regiões produtoras de café contribuiu para elevar a qualidade dos grãos colhidos até agora, mas pode atrapalhar o desenvolvimento das próximas floradas da cultura. As chuvas que eram esperadas para a segunda quinzena de setembro só devem começar a ocorrer a partir da segunda metade de outubro. As áreas mais prejudicadas pela estiagem e pelo clima quente são as regiões de Cerrado, especialmente aquelas em que os cafezais estão em fase de formação, com até dois anos de vida.


“Se não chover em até dez dias, o parque cafeeiro em renovação pode não produzir”, afirma Celso Vegro, pesquisador do IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Segundo ele, as regiões em renovação representam entre 5% e 10% da área cultivada com café. Mesmo os pés mais antigos e que já se encontram em produção no Cerrado não estão livres dos efeitos climáticos adversos. Os cafezais mais velhos têm tolerância maior, porém, dependem da água para recompor a parte vegetativa (folhas), mas também de temperatura mais amena.


Cana-de-açúcar – O clima seco no centro-sul do país, principalmente em São Paulo, provocou quebra de 7% na safra 2010/2011 de cana. Segundo estimativa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), 570 milhões de toneladas deverão ser moídas nesta temporada, ante potencial de 610 milhões de toneladas (volume de cana no campo no início da safra). A previsão também representa queda de 4,3% ante a estimativa divulgada em abril, de 596 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume é 5,3% superior ao total processado na safra 2009/2010.


“Se não chover até o final de setembro, poderemos fazer uma nova revisão”, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica. Mas, se, por um lado, a seca resulta em menor volume de cana, por outro, beneficia a produtividade industrial, pois resulta em maior teor de açúcar na matéria-prima. “Menos água na cana significa maior quantidade de açúcar”, afirma Padua. A qualidade do insumo, portanto, melhorou. O açúcar total recuperável por tonelada de cana deve ficar em 142 quilos nesta safra, ante 138 quilos por tonelada estimados anteriormente.


 


Faemg

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