Está previsto para começar nesta semana o carregamento de parte das 4 mil toneladas de leite em pó produzidas por cooperativas no Rio Grande do Sul e vendidas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ao governo federal. O transporte das primeiras 600 toneladas (provenientes das unidades da Piá, de Nova Petrópolis, e da Santa Clara, de Carlos Barbosa) depende apenas de uma checagem de documentos, mas o frete já foi contratado pela Conab. O pagamento será feito no ato da operação. O restante da encomenda sairá no ritmo da produção, pois as cooperativas não possuem espaço para armazenagem. Juntas, as duas venderam 2 mil toneladas do produto. A CCGL, de Cruz Alta, fornecerá as outras 2 mil toneladas ao PAA. A produção negociada começou a ser estocada num armazém da cooperativa em Cruz Alta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) irá efetuar o pagamento assim que a cooperativa concluir o credenciamento da unidade como armazenadora da rede pública, uma exigência legal.
O negócio envolvendo a cifra de R$ 30 milhões se concretiza seis meses após o início das negociações. Segundo fontes do setor, a morosidade no repasse de verba pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e trocas na direção da Conab, executora do PAA no país, motivaram parte desta demora. Evitando polemizar, o superintendente da Conab, Carlos Manoel Farias, assegura que os recursos para execução já foram liberados. Ele ainda ressalta que a operação requer um planejamento de logística de armazenagem, transporte e distribuição bastante complexo, que inclui administrar prazos de validade dos produtos e o recebimento em diversos estados.
Superados os entraves, o gerente de Laticínios da Piá, Marcelo André Wendling, espera entregar as 900 toneladas negociadas e dar continuidade ao fornecimento ao programa, que, além de equilibrar o mercado, assegura preço ao produtor. Uma das condições para vender ao governo e receber R$ 7,50 pelo quilo do leite em pó é a garantia de pagamento do valor de referência de R$ 0,53 por litro ao cooperado. O leite em pó que sairá das cooperativas atenderá programas sociais do governo, compondo cestas básicas e sendo doado a instituições ou entidades como bancos de alimentos, creches e asilos.
Correio do Povo

