A borracha no Espírito Santo está entre as mais valorizadas do Brasil. Os produtores capixabas vendem o material por até R$2,78 o quilo, valor que supera a média nacional, estimada em cerca de R$ 2,50.
Os produtores rurais estão animados. A venda do látex rende-lhes 60% de lucro livre sobre a receita. “Hoje o homem do campo pode viver da produção de borracha”, afirma José Manoel Monteiro de Castro, membro da Câmara Setorial da Borracha no Ministério da Agricultura como representante da CNA e também presidente do Sindicato Rural de Iconha.
Ele, que é também produtor de borracha, diz que o pico de sua produção é durante a temporada mais fria do ano, de abril a agosto. Nesse período, consegue produzir cerca de 1,7 mil quilos por mês, o que lhe rende aproximadamente R$4,5 mil.
No ano passado, o Espírito Santo contabilizou produção de mais de nove mil toneladas de borracha. A expectativa é que dentro de alguns anos a quantidade seja bem maior.
“A borracha é o ouro branco do Brasil. A substituição dos derivados de petróleo por produtos vegetais é um caminho sem volta. As pessoas estão muito mais conscientes dos benefícios da borracha natural, que é muito melhor no que diz respeito à resistência e elasticidade, assim como menos agressiva ao meio ambiente”, afirma José Manoel Monteiro.
Produção
Apesar das perspectivas, a produção brasileira não é suficiente para atender às necessidades do mercado interno. O país produz em média 200 mil toneladas de borracha natural por ano para suprir um consumo de cerca de 250 mil toneladas.
“A produção está longe de alcançar a autosuficiência. Para isso, seria preciso multiplicar em 50 vezes a soma dos terrenos que produzem látex no país”, afirma José Manoel.
Enquanto isso não acontece, o Brasil se mantém como importador da borracha natural. Os gastos com a importação do produto já atingiram US$ 1 bilhão entre 1992 e 2002.
Trajetória
Em dezembro de
Atualmente, a produção da borracha no Estado é dividida por duas cooperativas, uma do norte e outra do sul. Juntas, elas detêm 80% da comercialização da borracha no Espírito Santo. Os outros 20% estão nas mãos dos grandes produtores que comercializam diretamente com as indústrias.
Caroline Csaszar

