A atual safra de maracujá, que era apontada por técnicos do setor agrícola como uma das mais afetadas devido a seca do início de 2010 no Espírito Santo, está surpreendendo a todos. As estimativas divulgadas por entidades do setor mostravam uma queda média na produção de aproximadamente 50% na região norte capixaba, mas as chuvas do mês de abril reverteram a situação negativa da cultura.
De acordo com o gerente da Trop Brasil, principal indústria de polpa de frutas da região, Marcos Leonardo Miranda, a oferta da fruta neste período está superando as expectativas. Segundo ele, no último dia 07, em uma reunião com a Cooperativa dos Produtores Rurais de Jaguaré (Coopruj), a previsão era que a produção dos cooperados iria conseguir fornecer cerca de 500 toneladas de maracujá para a indústria, entretanto a natureza resolveu ajudar. “As chuvas das últimas semanas favoreceram as lavouras. Em abril, somente a Coopruj enviou 2.500 toneladas da fruta. Chegamos a processar aqui na indústria, em 24 horas, 300 toneladas de maracujá”, afirma Miranda.
Há pouco mais de um mês, os produtores estavam preocupados com os prejuízos e a falta de fruta para atender o mercado. Agora, alguns produtores tentam achar compradores para não perder a produção. Mas como que a cultura do maracujá deu esta ‘reviravolta’?
O coordenador do programa estadual de fruticultura da Secretaria Estadual de Agricultura (Seag), Dalmo Nogueira da Silva, explica que as plantas estavam preparadas para produzir, mas com a seca que o Estado enfrentou no começo do ano, houve o abortamento dos frutos. Porém, as recentes chuvas ajudaram no desenvolvimento da planta e a produção ‘explodiu’. “Tecnicamente, essa retomada da produção de maracujá era prevista, mas está sendo superior do que era imaginado”, diz Dalmo.
Com o aumento da oferta da fruta no mercado, alguns produtores tentam encontrar compradores, já outros estão com a venda certa. “Esse arranjo construído entre a Seag, Incaper, Cooperativas e a Indústria está permitindo o escoamento desta produção”, ressalta Dalmo Nogueira.
Redação Campo Vivo

