Conspiração Solta
É tempo de conspiração. Todos conspiram contra todos. Grupos contra grupos. Políticos contra políticos. Estados contra Estados. União contra estados. A coisa está para vaca não reconhecer o bezerro.
A questão do regime drawback volta à tona. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, em Brasília, admite apoiar a indústria de solúvel, com a autorização de importação de 600 mil sacas de café conilon.
A cortina se abriu. Na verdade, o jogo bruto da conspiração sempre existiu no comércio de café. Produtores e técnicos, bem intencionados, lutam incansavelmente para melhorar a produtividade e a qualidade do café. Acreditam que se tornarão mais competitivos, e que esse esforço seja recompensado com maior apropriação de renda pelos produtores. Os dados mostram o contrário. Quanto maior o esforço individual dos produtores, menos renda do agronegócio café fica com eles.
Instigante é constatar que, em pleno ciclo de baixa dos preços do café, agendam-se conversas oficiais nos gabinetes de Brasília e se avança em negociações de importação de café conilon. Abandona-se a lógica da interação dos agentes da cadeia produtiva, tão propalada nos últimos anos, em favor de arranjos obscuros de defesa segmentada, desconsiderando o grave momento da cafeicultura nacional e capixaba.
O Governo Federal avança em discussões para abrir os portos à entrada de café, desconsiderando a necessidade urgente de se adotar uma nova política industrial para o setor.
O momento atual é de abundância de safra, que avilta preços e prejudica os cafeicultores. É hora de formar estoques reguladores, públicos, e incentivar o segmento industrial para a estocagem, visando à regularidade de oferta e à garantia de preços mínimos compatíveis para os cafeicultores.
A saída é velha, mas nunca esteve tão atual, porquanto o café se enfraquece, em âmbito nacional, tanto em expressão política como em significado econômico, seja na formação da renda interna ou no comercio exterior. Os produtores têm que se organizar, política e comercialmente, e definir quem são mesmo seus aliados.
As cooperativas são o único espaço confiável. Produtor sempre foi aliado de produtor. Elas precisam avançar em novas estratégias articuladas, industriais, comerciais e de serviços, e não se pulverizar. Juntos poderão ir muito mais longe. Os desafios impõem novos arranjos. Vamos em frente!
Wolmar Loss
Engº Agrº, MS
(wolmar.loss@hotmail.com)

