O trabalho de renovação das lavouras em áreas de cacau da Fazenda Convenção, município de Uruçuca, a 405 quilômetros de Salvador, impressionou a missão técnica da República do Congo que visitou a Ceplac, na semana passada, com o propósito de acordo de cooperação. Pelo menos 200 hectares de cacaueiros do imóvel rural estão em fase produtiva, depois de terem sido clonados há dois anos. Com a aplicação do manejo integrado desenvolvido pela Ceplac a produtividade passou de 10 arrobas para 43 arrobas/hectare em uma das áreas, em 2009.
Pelo projeto da Agropecuária Avillar Ltda., a recuperação de cacaueiros vai atingir 530 hectares utilizando as técnicas de adensamento com a introdução de mudas seminais e enxertia, tendo como base as variedades CCN-10, CCN-51 e PH -16, da Ceplac; OS -1319, da Agrícola Cantagalo; e Convenção-150, selecionada na propriedade. Segundo o Técnico Agrícola e administrador rural Everaldo Velame, os resultados são animadores e as perspectivas excelentes para este ano.
A bem sucedida experiência da Avillar mereceu elogios dos congoleses Aimé-Clóvis Guillond e do agrônomo do Ministério da Agricultura Hubert Yobo. Os diplomatas estiveram na Região Cacaueira baiana, em companhia do francês Jean-Marie Boutruille, para iniciar acordo de cooperação entre o Governo brasileiro, através da Ceplac, e o Governo daquele país do continente africano, já que o presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, quer recuperar cerca de cinco mil hectares de cacaueiros abandonados e desenvolver a agricultura do País, com aplicação de US$ 40 milhões, 50% dos quais do Banco Mundial.
“É importante que o trabalho que realizamos na Fazenda Convenção sirva de exemplo para outro país. A Região Cacaueira detém tecnologia em cacau, através da transferência executada pelos extensionistas da Ceplac que acompanham e orientam o que fazemos aqui”, disse Everaldo Velame ao agradecer a visita aos congoleses. “O sucesso dessa recuperação é fruto da interação com os pesquisadores e técnicos do órgão. Pelos resultados estamos no caminho de atingir entre 80 e 100 arrobas/hectare em cinco anos, inclusive com adoção do cultivo consorciado cacau e seringueira em sistema agroflorestal (SAF)” revelou.
Todo o trabalho da Fazenda Convenção é desenvolvido por uma equipe de 75 operários de campo em sistema de parceria, o que inclui a gestão e manejo de 10 hectares, com aplicação de poda, adubação, controles químico e cultural. O extensionista Walter Paschoal levou os visitantes numa área de cacaueiros decadentes de mais de 80 anos que também vai passar por clonagens, com garfagens laterais e de copa, tendo explicado as técnicas recomendadas pela Ceplac, através dos centros de Pesquisa do Cacau (Cepec) e de Extensão (Cenex).
O Encarregado de Negócios da Embaixada do Congo e os engenheiros agrônomos visitaram a Superintendência da Ceplac na Bahia, no início da semana, e o Instituto Biofábrica de Cacau e a Escola Média de Agropecuária Regional da Ceplac (Emarc), em Uruçuca, na quarta-feira, 17, onde conheceram as instalações. Na Emarc receberam informações sobre a formação de técnicos em Agropecuária, Agrimensura, Hotelaria e Turismo e Tecnologia de Alimentos, desde 1965, relatadas pelo diretor Edésio Moreau e o vice-diretor Deraldo Peixoto Araújo.
A missão técnica foi acompanhada pelos extensionistas Antonio Eduardo de Souza Magno e José Ronaldo Monteiro Lopes, representando o Centro de Extensão da Ceplac (Cenex). Os diplomatas disseram, ao final da visita, que vão incluir no relatório a seu Governo, a sugestão de vagas na Emarc para seus jovens compatriotas, já que os entendimentos de cooperação com o Governo brasileiro prevêem a transferência de tecnologia em cacau e outros cultivos tropicais.
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