Quem passa pelo Circuito do Caravaggio no município de Santa Teresa, região serrana capixaba, encontra muito mais que as belezas naturais do local. A simpatia e simplicidade do agricultor Sérgio Sperandio, aliado ao seu espírito empreendedor, pode ser observada em poucos minutos de conversa, enquanto ele mostra sua produção de uvas e a fábrica de espumantes da Cantina Caravaggio.
Depois de quatro anos produzindo uva e comercializando na região, Sperandio resolveu agregar valor a sua produção e fabricar um produto diferenciado, um espumante de uva da variedade Moscato Embrapa, lançada em 1985, que chegou ao Espírito Santo doze anos depois. O espumante produzido na Cantina Caravaggio passa por um processo especial, seguindo o método frânces Champenoise. O cuidado desde o plantio, passando pelos tratos culturais e colheita da uva, até o processamento do espumante, deixa o produto com um sabor peculiar. Além dele, outros produtores da região também investem na produção de vinhos, espumantes e licores. Para isso, recebem apoio do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas ) que orienta-os, através de cursos, palestras e excursões técnicas, sobre noções de marketing e gerenciamento.
Na safra passada, a produção da variedade moscato na propriedade do Sérgio foi de cinco toneladas da fruta, colhidas nas 400 plantas, em uma área de 0,3 hectares. Os pássaros, que chamam atenção dos turistas, acabam sendo uma preocupação para o produtor. “No período de maturação, eles atacam os frutos”, diz Sperandio, que pretende, futuramente, investir em telas na plantação para evitar o prejuízo. Com o resultado da safra passada, a Cantina fabricou mais de 2.000 garrafas do espumante Moscatel. O produtor agora espera aumentar os números. “Para a próxima safra devemos fabricar 5.000 garrafas do espumante e a tendência é chegar a 8.000 garrafas por ano”, diz, otimista.
Com a evolução da produção, Sperandio deve colocar o espumante no comércio da região, mas, por enquanto, toda a produção da bebida é comercializada somente na Cantina Caravaggio, uma opção do agricultor. “Eu esperava que as vendas fossem menores, mas estão superando as expectativas iniciais”, afirma. A Cantina já tem clientes fiéis de várias partes do Estado e visitantes durante todo ano. “Os turistas querem conhecer todo o processo de cultivo da uva e da produção do espumante. Em época da colheita do pêssego, que também cultivo aqui, recebo cerca de 300 pessoas por fim de semana”, revela.
Satisfeito com o sucesso do espumante, o agricultor familiar espera expandir a produção, buscando inspiração no nome da sua cantina, que relembra a cultura dos seus descendentes e homenageia a Igreja de Nossa Senhora do Caravaggio, um dos pontos turísticos do Circuito e antiga devoção dos italianos que se fixaram na região.
Revista Campo Vivo
reportagem publicada na edição 04 – dezembro / 2009

