“O mercado de produtos orgânicos existe e está em expansão, e o Espírito Santo tem capacidade de ter grande participação nele”. Essa é a avaliação do gerente de Agricultura Orgânica, da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca (Seag), Decimar Schultz, após participar da Biofach 2010, realizada em Nuremberg, na Alemanha, em fevereiro.
Além de visitar a feira, o representante da Seag, acompanhado de três agricultores da região do Caparaó e do município de Alto Rio Novo, e dois técnicos da certificadora “Chão Vivo”, também foi a supermercados que comercializam somente produtos orgânicos, na Alemanha e na Itália.
“Essas visitas mostraram que o mercado está em expansão e que para a agricultura orgânica capixaba avançar é primordial investir na maior qualidade dos produtos”, explica Decimar. Além disso, ele destaca ainda que para organizar a cadeia produtiva de orgânicos é necessário ampliar o número de agricultores, avançar em tecnologias e na capacitação de produtores, e diversificar a produção.
Segundo o gerente de Agricultura Orgânica, o café é o principal produto orgânico capixaba e já está abrindo o mercado internacional. “Algumas empresas já estão solicitando amostras do café orgânico capixaba”, conta. “As frutas tropicais, os sucos e a cachaça são produtos que têm canal aberto para a exportação, mas precisam ter a certificação. Por isso, a meta da Seag é ampliar o número de propriedades certificadas. O mercado de orgânicos é exigente e os consumidores querem segurança ao comprar”, completa.
Resultados
Entre os principais resultados da participação de representantes capixabas na Biofach 2010, estão os contatos com empresas interessadas no café orgânico do Espírito Santo e com cooperativas de outros países. “Essa cooperativas servem de modelo e mostram que com capacitação e tecnologia, é possível que os capixabas exportem. O importante é ter um produto de qualidade”, frisa Decimar.
Outra constatação é a necessidade de formar parcerias com outros países. De acordo com o gerente de Agricultura Orgânica, as parcerias facilitam a exportação, pois assim a única preocupação do agricultor é produzir com qualidade. “Nós buscamos essas parcerias em, em maio, um distribuidor alemão vem visitar agricultores orgânicos capixabas para conhecer a produção”, conta.
Agricultura orgânica no Estado
Hoje, o Espírito Santo conta com 140 propriedades orgânicas certificadas, com aproximadamente 2.600 hectares de terra. A produção gerada fica em torno de 100 toneladas/mês de olerícolas; mil toneladas/mês de frutas e oito mil sacas/ano de café beneficiado. Dentro do plano de ações para a Agricultura Orgânica para 2010 mais 300 propriedades, que já estão fase de transição, vão adotar as práticas da agricultura orgânica, somando mais 5.400 hectares de terra, o que eleva para um total de oito mil hectares, e para 2.500 toneladas/mês de produtos.
Os principais produtos orgânicos cultivados no Espírito Santo são: abobrinha, abóbora madura, agrião, aipim, alface, banana prata, banana da terra, batata doce, batata inglesa, brócolis, cachaça, café, cebolinha, cenoura, chuchu, coentro, couve folha, couve flor, espinafre, ervilha, inhame, laranja, mamão, manga, milho verde, morango, ovo caipira, pepino, quiabo, repolho verde, salsa, tomate e vagem.
Os principais municípios atendidos e que desenvolvem atividades agroecológicas e agricultura orgânica são: Alto Rio Novo, Barra de São Francisco, Boa Esperança, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Domingos Martins, Ibatiba, Iconha, Iúna, Irupi, Jaguaré, Laranja da Terra, Mantenópolis, Marilândia, Montanha, Muqui, Santa Leopoldina, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, São Mateus, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.
Karolina Gazoni

