Nas últimas semanas, antes da chegada dessa chuva abençoada para nossas lavouras, líamos manchete como “Seca provoca queda da produção leiteira do Espírito Santo”, “Calor e seca afetam lavouras do Espírito Santo” e “Seca traz prejuízos à lavoura e restrição ao uso de água”.
Com a volta do período de chuva registra-se uma melhora da situação de pastagens, mas, para algumas lavouras o tempo de estiagem foi longo demais comprometendo culturas como a do café e da fruticultura.
Essa situação recorrente de longos períodos de estiagem mereceu atenção especial de nossa gestão na Secretaria de Estado da Agricultura (2007-2009) numa ação que contou com a valiosa parceria d Incaper, Idaf, Seama, Iema e Cesan. Essa articulação intra-governamental gerou, relativamente, em pouco tempo, resultados excepcionais com a implementação de programas de adequação ambiental como “Campo Sustentável”, “ProdutorES de Água”, “Florestas para a Vida”, “Proteção de Nascentes” e “Corredores Ecológicos”.
Associado a essa política agroambiental de enfrentamento dos períodos cíclicos de seca, haja vista o alto déficit de água notadamente nas regiões Norte e Noroeste, autorizei, então, a contratação de um amplo estudo de reservação de água da Região Norte capixaba. A proposta do plano de ação concluída em minha gestão foi um dos últimos atos para auxiliar o Governo na tomada de decisões com relação à temática reservação de água e desenvolvimento regional.
Foram realizadas oficinas nos municípios que se traduziram numa grande oportunidade para os produtores e moradores das regiões envolvidas colocarem os diversos problemas enfrentados pela escassez de água.
Os relatórios servem de base para os estudos e propostas na construção de barragens de múltiplos usos nas bacias dos rios Itaúnas, São Mateus e afluentes capixabas da bacia do Rio Doce visando a minimizar os efeitos da seca. Esses estudos foram contratados à empresa Acquatool, referência nacional no assunto, que identificou locais mais apropriados para reservação de água com o objetivo de regularizar o abastecimento o ano todo.
Na série histórica, no Espírito Santo têm ocorrido curtos períodos de chuva entre três a quatro meses, cujo volume de água se perde pela falta de uma cobertura florestal não retendo o produto no solo e/ou pelas enchentes dos rios causando estragos de toda ordem. A estratégia do Plano de Ação para Reservação de Água de Médio e Grande Porte na Região Norte do ES, então, é reter e regular a distribuição dessa água no longo período de estiagem.
Esperamos que essa fértil contribuição seja levada adiante para que nunca mais tenhamos que conviver com manchetes que revelam a dor e o desencanto do nosso produtor rural e de nossas populações no campo.
Enfim, cabe agora ao Governo estabelecer prioridades na construção das barragens, definir o órgão gestor de recursos hídricos e iniciar a implementação do plano que permeará por alguns Governos adiante, mas que permitirá o Estado um melhor enfrentamento dos futuros períodos de seca.
César Colnago
deputado estadual e membro da Comissão de Agricultura, de Aquicultura e Pesca, Abastecimento e de Reforma Agrária da Assembleia Legislativa

