Necessidade e criatividade. Quando juntas, estas palavras revelam a capacidade do produtor brasileiro. Exemplo dessa realidade é a história do cafeicultor José Claudinei Lopes, dono do Sítio Paiol Queimado, de Ouro Fino (MG). Com muita dedicação e persistência, o produtor recriou um conhecido lavador de café, incluindo adaptações que ampliaram a produtividade e agregaram valor ao equipamento.
A idéia surgiu após Lopes utilizar, durante uma safra inteira, o lavador tipo ‘Maravilha’, que conheceu por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater–MG), durante a Expocafé 2006, evento realizado pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Três Pontas (MG). No início da safra de 2007, disposto a otimizar os resultados na separação dos grãos, desmontou a máquina toda e passou um mês em sua oficina desenvolvendo melhorias e consertando o que não considerava correto. Com muito trabalho, chegou ao rendimento ideal para sua produção.
Muito semelhante ao antecessor, o ‘Maravilha Plus’ tem como diferencial o nível de escoamento do café seco, mais conhecido como ‘bóia’; o fluxo de água que une em uma única saída os cafés cereja, verde e o intermediário; e a peneira vibratória, que ao final da lavagem separa os grãos pesados de impurezas como torrões de terra e pedras. “O secador agiliza bastante o trabalho, pois separa somente o café bóia, que seca mais rápido. Os grãos são despejados em compartimentos diferentes, ao término da lavagem, o que permite economia de tempo na lavoura e no terreiro, principalmente ao final da colheita, quando já se pode ter cerca de 60% da produção seca. Com isso, não é necessário expor o café mais maduro ao sol por tanto tempo, e tem a vantagem, ainda, de poder adiantar parte da venda”, comenta Lopes.
Feito em chapa galvanizada, o ‘Maravilha Plus’ tem uma bomba de água de 2 cv, um motor elétrico de ¼ cv – para a peneira – e uma correia para ajudar na retirada do café seco. Fixo em uma caixa de alvenaria de 2,20 m de comprimento e 1 m de largura, lava cerca de 60 litros de café por minuto, de acordo com seu inventor. A novidade fica por conta do segundo canal implementado, pelo qual escorrem os cafés cereja, verde e intermediário.
“Febre” nas fazendas vizinhas ao Sítio Paiol Queimado, o lavador de café ‘Maravilha Plus’ já está dando mais trabalho para Lopes do que sua própria lavoura. “Desde que coloquei o meu lavador em funcionamento, já fiz mais três, um para cada vizinho. Sempre há melhora, pois vou aperfeiçoando o produto. E já tenho mais pedidos”, comenta. Fabricado sob encomenda, o lavador de café tem custo médio de R$ 3 mil a R$ 4 mil.
Premiação – Inscrita no 2º Prêmio Emater-MG de Criatividade Rural, em dezembro de 2007, a invenção de José Claudinei Lopes, com orientação do extensionista da Emater-MG Mário Jorge Botelho Weikert, ganhou o quinto lugar, com 640 pontos.
Revista Cafeicultura

