Perspectivas para a safra 2010

por admin_ideale

 


O ano que termina definitivamente não foi bom para a agricultura, apesar daqueles que pensam o contrário. O ilustre ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues, por exemplo, admite que “a renda foi boa, apesar dos custos altos”. Mas ele logo destaca: “com exceção do café… carnes… E aqui no Espírito Santo, poderíamos acrescentar: eucalipto, borracha, cana-de-açúcar, leite, mamão… Estes produtos juntos representam a grande expressão do agronegócio capixaba. Melhor seria sintetizar os produtos que não perderam, no comparativo de preços absolutos e relativos, que seriam muito poucos: algumas frutas e olerícolas.


 


Mas o atual Ministro Reinhold Stephanes e o ex-ministro admitem que 2010 será pior. A posição do ilustre ministro, naturalmente de maior cautela, fala em “desafios” para o próximo ano, enquanto Roberto Rodrigues é mais claro: “Vejo com preocupação a safra de 2010.


 


Todas as autoridades que ainda preservam princípios éticos, e compromissos com o desenvolvimento da agricultura brasileira, sejam públicas ou privadas, admitem as dificuldades para a próxima safra. Portanto, o sentimento não é de pessimismo, mas de um realismo necessário, que nos estimula a identificar soluções para um ano desafiador, sob a ótica do agronegócio e de seu principal ator, o produtor rural.


No diagnóstico todos convergem: (i) câmbio sobrevalorizado, com tendência de maior valorização do real, reduzindo renda e desestimulando exportações; (ii) movimentos cíclicos de baixa nos preços do café, e estoques mundiais elevados, como no caso da soja; (iii) carga tributária a imputar custos desproporcionais, com repercussão nos elos das cadeias produtivas, tanto em âmbito intra-regional como internacional; (iv) protecionismo em países desenvolvidos, impondo barreiras adicionais às exportações e subsidiando a produção interna; (v) demanda ainda reprimida em contraponto à crescente necessidade mundial por alimentos, (vi), dificuldades de alguns países em superar os efeitos da crise econômica recente e (vii) o impacto dos efeitos das mudanças climáticas e a necessidade urgente de estabelecimento de limites para as fontes de emissão de gases do efeito estufa, o que imputa custos adicionais para a agricultura.


 


Sob a ótica da produção, as primeiras estimativas da CONAB, para a safra brasileira de grãos a ser colhida em 2010, apontam para um crescimento em torno de 3% a 5%. Para o café, as primeiras informações admitem um crescimento de 30% na produção, ou seja, passando de 39 milhões de sacas deste ano, para 52 milhões no ano que vem, considerando que a safra a ser colhida em 2010 é de alta, dada a bienalidade do arábica.


 


Torcemos por uma boa safra, em 2010. O pior dos mundos, nas circunstâncias por que passa o produtor e a sociedade brasileira, é o advento de uma frustração da produção agrícola, por seus impactos sobre a inflação e sobre o poder aquisitivo dos mais pobres. Do lado econômico, a agricultura tem sido o fiel da balança nas exportações, cujos excelentes saldos comerciais determinam a saúde do balanço de pagamentos.


 


O problema central, para a próxima safra é assegurar que os produtores não percam mais renda. Mesmo porque seu estoque de dívidas é comprometedor e a perda de mais renda significará forte desequilíbrio estrutural, com inadimplemento generalizado e instalação do caos no agronegócio, o que repercutirá em toda a sociedade e no equilíbrio das contas externas do país.


 


Nesta linha, é fundamental maior intervenção do Governo no mercado, com garantia de preços mínimos e formação de estoques públicos, e estímulos ao setor privado a exemplo da redução dos tributos incidentes sobre as cadeias produtivas, e incentivos às exportações com maior valor agregado. Para amenizar a situação, medidas de restrições do fluxo financeiro de dólares devem complementar as intervenções, comprando dólares e dosando, no tempo, as movimentações em bolsas e renda fixa, visando manter o câmbio flutuante, sem patrocinar a especulação financeira. Afinal, a recente crise teve origem na especulação global e os Governos, no Brasil, tomaram medidas de liberação de empréstimos, renúncia fiscal e investimentos públicos, justificadamente queimando ativos, para reduzir os impactos no emprego e na renda de segmentos urbanos.


 


Para 2010, malgrado os esforços dos produtores brasileiros e capixabas, o cenário para a agricultura não é favorável e será a vez da sociedade e dos Governos reconhecerem, demonstrando com medidas firmes, a importância da agricultura no desenvolvimento mais bem equilibrado do país. Uma coisa é certa: Uma crise no rural reflui inexoravelmente no urbano, e de forma irreversível, porquanto muitos dos problemas urbanos de hoje refletem a negligência histórica das autoridades com o meio rural.


 


 


Wolmar Loss


 Engº Agrônomo


 MS em Desenvolvimento Econômico


 


Luiz Son


Administrador de Empresas com foco em Meio Ambiente e Negócios

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