Exportação de frutas padece com câmbio e chuvas fora de época

por admin_ideale

 


Do lado da receita, a desvalorização do dólar e a pressão sobre os preços internacionais. Do volume, a quebra de safra provocada por chuvas fora de época. A combinação desses fatores causou em 2009 uma forte retração na exportação brasileira de frutas. E o dólar valorizado deve limitar a recuperação em 2010. “O câmbio ainda está desfavorável e deve continuar atrapalhando a receita do setor no próximo ano”, diz Moacyr Saraiva, presidente do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf).


 


Os dados oficiais mostram que até outubro a receita com exportação de frutas foi de US$ 441 milhões. A cifra deverá atingir US$ 561 milhões até dezembro, o que vai significar queda de 22% em relação a 2008. O volume embarcado até outubro, de 618 mil toneladas, deve encerrar o ano em 765 mil, uma retração de 11% na comparação com o ano passado.


 


O presidente do Ibraf explica que o recuo das importações europeias foi decisivo na pressão para baixo sofrida pelos preços internacionais das frutas. Acrescenta-se a isso, segundo Saraiva, a perda de qualidade de algumas variedades brasileiras que foram muito afetadas por fortes chuvas na colheita.


 


“A safra de uvas de exportação do Vale do São Francisco teve quebra de, pelo menos 30% , em volume, sem contar o efeito negativo sob a qualidade. Essa região responde por 95% da produção da uva que é embarcada ao exterior”, lamenta Saraiva. Até outubro, as exportações dessa fruta – a nona da pauta exportadora do segmento em volume, mas a primeira em receita – foram de US$ 96 milhoes, uma retração de 27% em relação a igual intervalo de 2008.


 


A maçã, terceira fruta mais importante da pauta em volume e a quarta em receita, também teve sua qualidade fortemente afetada pelo clima desfavorável de 2008. A condição foi agravada por uma superoferta mundial, segundo Saraiva, que inibiu os preços e retraiu as vendas. Os embarques dessa fruta fecharam os primeiros dez meses do ano em 98,2 mil toneladas, baixa de 12,47%, e receita de US$ 56,2 milhões, recuo de 30% na comparação com igual período de 2008.


 


A banana, líder da pauta, foi uma das poucas frutas que teve crescimento nos embarques deste ano – US$ 32,7 milhões, ante US$ 29,4 milhões de janeiro a outubro de 2008. “A UE reduziu compra das bananas de alto nível de qualidade. No entanto, parte dessa queda foi compensada pelo aumento da Argentina e do Uruguai, que adquiriram fruta de menor valor agregado”, diz o executivo.


 


O mercado interno, que em 2009 ajudou a sustentar a receita do fruticultor, deve continuar aquecido em 2010, na avaliação de Saraiva. “O crescimento do PIB no patamar de 6%, como se prevê, vai refletir em um maior consumo de frutas”. Quanto aos preços e volumes de exportação, a expectativa é que cresçam em relação a 2009, no entanto, com as devidas limitações impostas pelo câmbio. “Para a infelicidade do exportador, a tendência é de que o dólar continue caindo”, lamenta Saraiva.


 


Valor Econômico

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