O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, considerou hoje um exagero as projeções que já começam a aparecer no mercado de que a safra 2010/2011 de café poderá atingir a marca de 55 milhões de sacas. “É uma irresponsabilidade dizer que vai chegar a 55 milhões.
Não quero antecipar, mas com certeza ficará longe desse número”, previu ele, durante entrevista coletiva para comentar o acompanhamento da safra de café e cana-de-açúcar feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Para a quarta e última estimativa da safra de 2009, Stephanes avaliou que não há muitas novidades. De acordo com a Conab, o Brasil fechará o ano com o beneficiamento de 39,47 milhões de sacas de 60 quilos do produto. “Estamos na bianulidade negativa”, considerou o ministro, lembrando que, a cada dois anos, é esperada redução da colheita de café por conta da característica produtiva do grão.
Mesmo assim, a Conab ressaltou em nota enviada à imprensa que este é o melhor resultado alcançado entre os biênios de baixa dos últimos 10 anos, superando, por exemplo, em 9,4% o resultado da produção de 2007. Na comparação com o ano passado, a queda foi de 14,18% (6,52 milhões de sacas a menos).
O principal motivo apontado para a queda da produção foi o impacto das chuvas. Durante a entrevista coletiva, um técnico da Conab salientou que as chuvas foram intensas no momento da colheita, principalmente no sul de Minas Gerais, que representa metade da produção do Estado e um quarto da produção nacional. “O impacto sobre os preços, não podemos estabelecer”, disse o técnico. Ele lembrou que há estimativas de que tanto a Colômbia como a Índia registrem queda de 40% em sua produção, o que já leva a um aumento das exportações brasileiras.
Para Stephanes, um dos problemas da chuva é que ela provoca várias floradas. Isso cria, de acordo com o ministro, dificuldades de colheita, que deve ser realizada em várias épocas diferentes.
Agência Estado

