Mercado trabalha com perspectiva de altas para preço do café

por admin_ideale

 


A disponibilidade global de café está diminuindo e os traders do mercado estão se posicionando visando um período de preços altos para o café arábica, variedade que tem entre 65% a 70% do consumo global, sendo o restante de cafés do tipo robusta.

As primeiras safras de arábica que vêm da Colômbia, América Central e México não mostram sinais reais de recuperação após dois anos seguidos de problemas climáticos decorrentes do El Niño.

Em 2009/2010 a safra se mostra lenta e menor que o anteriormente previsto, o que dá suporte para um sentimento bullish (altista) no mercado.

O preço do café na bolsa de Nova Iorque — ICE Futures US — está dentro de um range de 130,00 a 145,00 centavos de dólar por libra peso desde a metade de outubro, entretanto, eles tiveram uma alta considerável na semana passada, atingindo 141,35 centavos na quinta e conseguindo romper os 146,00 centavos na sexta-feira.

“O mercado passou a operar focado na pequena oferta. Nós temos uma situação significativamente precária de oferta e demanda, sendo que quaisquer movimentos de compra maiores poderão levar o mercado para as alturas. Agora nós poderíamos testar os 175,00 centavos por libra? Se quebrarmos os 175,00 definitivamente poderíamos vislumbrar níveis acima de 2 dólares”, disse Marco Ruttimann, que atua no segmento de futuros de Coffee Link International, em Miami.

Ruttimann disse que as altas dos preços não podem ser algo certo para agora, já que o café ainda poderia alguns problemas para verificar rallies. Entretanto, o cenário esperado é de uma grande demanda por ofertas de grãos novos no primeiro quarto de 2010.

O consumo mundial ainda se mostra forte, com um crescimento entre 1,5% e 2% anuais, de acordo com levantamentos da OIC (Organização Internacional de Café).

Os estoques certificados de café na ICE estão diminuindo, ao passo que países como Brasil e Peru poderão ter produções menores, ao passo que a Colômbia e os centro-americanos verificaram problemas com clima e estão embarcando uma safra menor.

“O café está com cotações subvalorizadas no momento, mas verificamos que poderemos ter preços mais altos por um período relativamente longo, enquanto durar esse cenário de oferta reduzida”, disse Ted Lingle, diretor executivo do Instituto de Qualidade de Café, uma organização não-governamental norte-americana.

Os estoques certificados na ICE estão próximos de 3,1 milhões de sacas, menor que meio mês de demanda das nações importadoras. Esse montante é 30% inferior às 4,4 milhões de sacas verificadas no começo do ano na bolsa norte-americana.

No curto prazo, a dinâmica do mercado poderia puxar os futuros para cima, sem que se verificasse um reajuste nos prêmios pagos para o café físico no mercado, explicou Lingle, devido ao fato de a oferta ainda não está tão curta ainda. “Os players estão estudando as formas de como viver com estoques menores”, complementou.

Entretanto, a situação futura poderá ser muito severa, ressaltou o diretor, principalmente quando os compradores, inevitavelmente, terão de adquirir o produto para o período de inverno no hemisfério norte.


 


 


 


(Fonte : Maja Wallengren repórter do Dow Jones Newswires da cidade do México)


 


Revista Cafeicultura

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