Temos florestas, água e portas quase abertas com a Europa. Aproveitemos!
Do dia 7 até 18, o mundo vai sentar para discutir. A questão é o que deveremos e poderemos fazer para que o “tempo” no planeta não piore. Em Copenhague, Dinamarca, acontece a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas – a Cop 15.
De uma aflitiva desmobilização internacional nos últimos meses, o quadro mudou e as nações passaram a se manifestar. Ousado, o Brasil saiu a campo e disse que topava o compromisso de reduzir as emissões de gases estufas entre 37 e 39% até 2020. Isso acabou encorajando outros grandes poluidores. Os reticentes e megapoluidores EUA anunciaram a disposição de uma redução de 17%. O Obama até confirmou sua presença. A China, outra megapoluidora, falou em 40%. Daí, outro punhado de países também passou a anunciar seus percentuais de boa vontade para enfrentar o aquecimento global.
A crise ambiental, de longe, permanece como tema para especialistas ou verdes-fanáticos. Hoje, até as crianças já falam sobre o tema. Assim como proprietários e produtores rurais. Inclusive aqui na região serrana do Espírito Santo.
São muitos os conflitos: exigência de reserva legal, preservação das Apps (áreas de preservação permanente), fiscalizações, multas, burocracia (e custos) dos licenciamentos. Enfim, um sufoco que acaba por reduzir áreas para produção e cria mais despesas com as práticas e tecnologias adequadas e toleradas pela legislação.
Mas já não é suficiente olhar para esse contexto de exigências ambientais exclusivamente como obrigações. Já está na hora de descobrir as oportunidades nessa lógica nova que veio para ficar. Já que, ou cuidamos da terra, do planeta, ou a situação poderá ficar incontrolável e caótica.
A região serrana guarda os maiores quantitativos de florestas no Estado, bem como é uma “usina produtora” de água. Praticamente todas as grandes bacias hidrográficas capixabas têm relação com as montanhas.
Essa Conferência da ONU pode avançar no debate internacional sobre emissões do gás carbônico, do metano e outros gases estufa. Alías, tem que avançar. É questão de vida ou morte, até. Mas certamente um item sairá fortalecido desse grande assembléia planetária: as contrapartidas para quem preserva. Tais como os chamados créditos de carbono, pagamento por serviços ambientais e similares.
Além do poderoso potencial natural e ecológico da região serrana, temos aqui ainda grandes colônias de descendentes de países europeus, que mais do que nunca buscarão parceiros pelo mundo em desenvolvimento para parcerias de caráter ambiental.
Os municípios serranos – lideranças, prefeitos, vereadores, cidadão – precisam se aprofundar sobre tais questões e buscar aí as maneiras de preservar as matas e os mananciais de água sem implodir a economia local. Antes, descobrindo (e praticando) de vez uma fala que cada vez fica mais comum: a floresta em pé é a que dá dinheiro, nesses tempos bicudos de crise ambiental. Transforma essa crise num excelente e duradouro negócio regional.
Mais do que mais áreas precisamos de mais recursos e tecnologias. O Incaper divulgou, por exemplo, que o café arábica perdeu mais de 9% de área agricultável mas cresceu em 33% de produtividade. Isso é conhecimento e tecnologia. É por ai a saída desta crise sem precedentes.
Fabrício Ribeiro
jornalista

