Aumento da mecanização diminuiu o nível de emprego no campo

por admin_ideale

 


O aumento da mecanização da colheita de cana-de-açúcar diminuiu o nível de emprego no campo. Uma pesquisa da Universidade Estadual de São Paulo mostra que, em dois anos, mais de 20 mil cortadores de todo o Estado ficaram fora do mercado de trabalho. Para aproveitar a mão de obra que sobra, a saída é a qualificação profissional.

A pesquisa foi baseada em dados da Rais, Relação Anual de Informações Sociais, e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho. O resultado confirma uma tendência no campo: a substituição do homem pelas máquinas.

A mecanização traz benefícios para a certificação do açúcar e do etanol. Diminui as queimadas na lavoura, o que é uma vantagem ambiental e também uma exigência estabelecida por lei desde 2002 em todo o Estado e a qual o setor deve se adequar gradualmente. Por outro lado, também traz impactos sociais. De acordo com o estudo, entre 2007 e 2009, vinte e três mil trabalhadores perderam empregos por causa do uso de máquinas no corte da cana.

O trabalhador rural Marcelino Almeida saiu de Canudos, na Bahia. Ele mora em Barrinha, no interior de São Paulo, há quatro anos. Há um mês, faz parte dos que perderam emprego. “É muito ruim porque as contas chegam e é desesperador”, disse.

Para o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, é preciso que as usinas invistam em treinamento. Caso contrário, o excesso de desempregados poderá causar transtornos. “Qualifica essa mão de obra para que eles amanhã não sejam mais desempregados, que os filhos deles não estejam na rua pedindo”, alertou Alcides de Barros Filho, presidente do sindicato.

É o que também pensa o coordenador da pesquisa da Unesp de Jaboticabal. “É importante que os serviços municipais aumentem os cursos de qualificação profissional, que tenham mais ações públicas nesse sentido”, falou José Giácomo Baccarin, professor de economia da Unesp.

Em todo o Estado, enquanto o número de cortadores caiu, o de operadores de máquinas agrícolas, como as colheitadeiras, cresceu, mas numa proporção menor.

A Unica, União da Indústria de Cana-de-Açúcar, informou que deve lançar, até dezembro, um projeto de qualificação de cortadores que beneficiará pelo menos sete mil trabalhadores por ano em São Paulo.


 


Globo Rural

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