A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural vai convocar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para esclarecer em audiência pública declaração de que os parlamentares da bancada ruralista são “vigaristas”.
O requerimento que sugere o debate, de autoria do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), foi aprovado nesta terça-feira pelo colegiado. A data da audiência ainda não foi marcada.
Para Heinze, é inaceitável que um ministro de Estado faça um pronunciamento para o mundo ouvir e declare que a classe produtora do País é vigarista. “Vendemos alimentos para todo o planeta. Somos o primeiro e segundo maior exportador mundial de açúcar, soja, suco de laranja, café, tabaco, carne bovina e de frango. E questiono o que uma ação desastrosa como essa pode representar lá fora?”, completou.
Deputados criticam
Os deputados da comissão, antes da votação do requerimento, repudiaram a postura do ministro. Ao lamentar a declaração, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), disse que o ministro deve se preocupar com as 17 favelas cariocas que estão em unidades de conservação. “É muito mais fácil atacar o pequeno produtor que fica com a enxada na mão do que cuidar dos problemas ambientais do Rio de Janeiro”, salientou.
Segundo Colatto, a bancada ruralista conta com 208 deputados e 35 senadores, e todos estão indignados com as palavras de Minc.
O deputado Moreira Mendes (PPS/RO), um dos vice-presidentes da frente parlamentar, defendeu a exoneração do ministro. “O Brasil precisa de autoridades que tenham responsabilidade com os cargos que ocupam”, justificou.
Para o deputado Duarte Nogueira (PSDB/SP), outro vice-presidente da frente, Carlos Minc ofendeu a liturgia que o cargo de ministro do Meio Ambiente exige. “O ministro ainda está vivendo o dilema de 30 anos atrás entre preservar ou produzir. Temos que preservar com sustentabilidade econômica”, argumentou.
Agência Câmara

