Depois dos produtores rurais, é a vez de os trabalhadores da Disa, uma das usinas do grupo inglês Infinity Bio-Energy, protestaram no norte do Estado. Na manhã desta terça-feira (26), um movimento de trabalhadores cobrava o pagamento das rescisões dos contratos. A empresa vive uma fase delicada: não consegue cumprir seus compromissos e já pediu a concordata na Justiça.
No início da manhã desta terça-feira, um grupo de trabalhadores fez um piquete na portaria da Disa, em Conceição da Barra, impedindo a entrada de veículos da companhia. Segundo lideranças dos trabalhadores, o motivo do protesto é o descumprimento do acordo para pagamento de indenizações na rescisão de contratos de trabalho.
Um grupo com cerca de cem trabalhadores da Disa acertou a rescisão dos contratos na última sexta-feira (22) e a promessa inicial era que o dinheiro estaria na conta no final da noite. Entretanto, o valor não foi depositado e os trabalhadores decidiram protestar. Durante o ato, os diretores da empresa definiram que o novo prazo deve ser ratificado apenas nessa quarta-feira (27) em encontro no sindicato da categoria.
A alegação de diretores do grupo Infinity é que a empresa entrou em concordata e por isso todos os bens estão bloqueados. Com isso, os pagamentos dos trabalhadores dependem da Justiça e eles não sabem ainda como, quanto e quando irão receber.
Essa é apenas a ponta do iceberg da crise financeira por que passa o grupo inglês. Das promessas de grandes investimentos no setor sucroalcooleiro restaram apenas as dívidas, em função da crise das commodities. O grupo inglês Infinity Bio-Energy, que possui quatro usinas próximas da região, não está conseguindo sequer cumprir seus compromissos com os fornecedores e a mão-de-obra.
Segundo o conselheiro da Cooperativa dos Produtores Rurais, Marcos Nicodemus Cysne, a dívida do grupo inglês com os mais de 120 produtores da região norte do Estado que compõe a associação chega a R$ 8 milhões. A dívida representa mais de 60% do preço da safra colhida em 2008/2009, num total de 600 mil toneladas de cana-de-açúcar.
O acordo entre a Infinity e os produtores previa o pagamento do total em dez parcelas, porém as parcelas correspondentes aos meses de março e abril não foram pagas, sem incluir o ajuste do preço da safra em 30 de março. Cysne explica que, ao início de cada safra – em abril -, o preço da safra é reajustado seguindo a média de produção, mais o coeficiente da TR. Mas que até o momento a empresa não repassou o valor aos preços.
Atualmente, o valor da tonelada da cana-de-açúcar bruta, sem considerar os custos de corte, carregamento e transporte (CCT), pago aos produtores é de R$ 16,50. Com o reajuste, a expectativa de mercado é que esse preço gire em torno de R$ 20 a tonelada. No entanto, os produtores não chegaram nem mesmo a ser comunicados sobre o novo preço.
A consequência do calote dos ingleses no campo é devastadora. Segundo o conselheiro da associação de produtores, a inadimplência no campo pode ser vista nos financiamentos de máquinas agrícolas em aberto e pagamento de compromissos com a mão de obra. Até mesmo interlocutores da Infinity chegaram a intermediar a renegociação das dívidas dos produtores com o Banestes.
Século Diário

