A busca por maior produtividade deverá ampliar no Brasil as pesquisas para a prática de polinização profissional das culturas com abelhas. A técnica já é largamente utilizada em países que são grandes produtores de grãos, como Austrália e Estados Unidos, onde o mel é apenas o subproduto da atividade profissional de polinização. Nos EUA, especialistas estimam que o número de colônias alugadas ultrapassem 2,5 milhões, a maior parte utilizada pela fruticultura. No Brasil, no entanto, ainda está em fase de avaliação e já começa a ganhar espaço principalmente entre produtores de frutas e algumas oleaginosas. O ganho, conforme estudos preliminares, pode variar de 10% até 56% conforme o adensamento da lavoura, quantidade de colmeias utilizadas e cultura polinizada.
“A polinização é muito importante para as plantas. No caso da soja, ajuda a aumentar a produtividade. Mas os ganhos com o girassol são fantásticos”, avalia Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja). Ele revela que já utiliza o sistema por meio de parceria com apicultores da região. Os ganhos com produtividade do girassol, conforme explicou, chegam a 30%. “A técnica é muito boa e deve continuar crescendo”.
O professor e pesquisador de abelhas e polinização da Universidade Federal do Ceará (UFC), Breno Magalhães Freitas, observa que dependência de polinização nas plantas leguminosas é baixa, como o caso da soja. “Mas há indícios de ganhos entre 10% e 20% nessa cultura”. Segundo informou, a técnica no País começou a ser desenvolvida a partir de 1998. “O potencial que existe é grande porque o produtor não precisa criar a abelha. O procedimento acaba contabilizado como insumo de produção”. Informou ainda que ótimos resultados são observado com as frutas. “Há casos de cultivo de maracujá com até 92% de ganho após implantar colméias”.
Carlos Pamplona Rehder, membro da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), afirma que o setor está em busca de recursos e vai apresentar um pacote de financiamento à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), controlada pelo MCT. “Nosso objetivo é conseguir de R$ 3 milhões a R$ 6 milhões para financiar as pesquisas e montar os estudos nos próximos três anos”, disse. “A apicultura e o produtor agrícola ganham com a renda extra”, acrescentou.
“Também existe a possibilidade de consórcio com as monoculturas geradoras de biomassa energética”, ressalta Reginaldo Resende, Coordenador Nacional da Rede APIS do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Disse ainda que essa técnica ajuda a rebater acusações de que os biocombustíveis expulsam pequenos agricultores do campo. “Isso resolve duas questões: fornecimento de energia para máquinas e para o homem”.
Exportações em alta
Segundo dados do Sebrae, as exportações de cera e própolis em fevereiro bateram recordes em receita. O montante negociado no período atingiu 4,1 toneladas e movimentou US$ 342,6 mil, aumento de 61% em peso e 28% em receita na comparação com o mesmo período de 2008.
Gazeta Mercantil

