O governo dá por encerrada a ajuda à comercialização do milho nesta safra. Os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), realizados até a semana passada conseguiram enxugar o excesso de oferta de milho no Mato Grosso e os preços de mercado voltaram a superar o valor mínimo de R$ 11 a saca, referência para a comercialização sem prejuízos ao produtor. ‘‘Ainda faremos uma reunião com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas hoje, com o preço acima do mínimo, ao redor de R$ 14/saca, a avaliação é de que não precisamos mais fazer (leilões)’’, disse José Maria dos Anjos, diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura.
Segundo ele, só em contratos de opção de venda – mecanismo pelo qual o produtor compra o direito de vender milho ao governo por um preço determinado – a Conab adquiriu o equivalente a 1,590 milhão de toneladas de milho da safra 2007/08. José Maria não soube dizer se todo esse volume será efetivamente entregue – os contratos têm datas de exercício diferentes e alguns ainda não venceram. Mas representantes de produtores e cooperativas afirmam que os preços oferecidos – R$ 14,38/saca – continuam sendo atraentes.
Trigo
O apoio à comercialização do trigo continua nesta semana, com novo leilão de PEP hoje para 120 mil toneladas, mas a reação dos preços internos nas últimas semanas pode ser um indicativo de que o mercado começa a se autorregular sem a necessidade do subsídio governamental. Os moinhos estão retomando as compras após as férias e, com restrição de oferta na Argentina, têm demandado mais trigo nacional.
De acordo com José Maria, como parte da reação dos preços internos deve-se aos leilões de PEP – que têm oferecido subsídio de R$ 178 a tonelada para que o trigo seja transferido da região produtora no Sul do País para centros consumidores do Nordeste ou mesmo para a exportação – a decisão de realizar novos pregões será avaliada a partir da sexta-feira. Os últimos leilões tiveram demanda para 100% da subvenção, disputados em parte por moinhos do Nordeste, para os quais, sem a ajuda do governo, é mais vantajoso importar o trigo do que buscá-lo no Paraná ou no Rio Grande do Sul, devido aos altos custos da cabotagem.
Para o governo, a ajuda dada até agora à comercialização do cereal respondeu ao compromisso feito aos triticultores de que o preço mínimo seria assegurado em troca de um maior investimento na cultura, para reduzir a dependência brasileira do trigo importado. Até o ano passado os moinhos importavam quase 70% das suas necessidades do grão; para este ano a projeção é de que as compras externas possam ficar em torno dos 40% do consumo total.
Agência Estado

